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Chávez pede exorcismo para sede de Vaticano em Caracas

Líder estudantil que ficou nove meses asilado em nunciatura é chamado de "sádico violador" por presidente

Associated Press,

15 de janeiro de 2010 | 21h44

O presidente Hugo Chávez recomendou nesta sexta-feira, 15, o novo núncio apostólico da Venezuela a realizar um exorcismo na sede diplomática do Vaticano em Caracas, depois de acusar seu predecessor de dar refúgio a um dirigente universitário opositor que alega ser um perseguido político, mas que o governante qualificou de "sádico violador".

 

Chávez deu as boas vindas ao monsenhor Pietro Parolin, designado pelo para Benedito XVI, e em seguida o disse: "eu o recomendo muito respeitosamente um exorcismo na seda da Nunciatura, porque o núncio anterior (Giacinto Berloco) alojou nessa boa casa um sádico violador e o graduaram ali".

 

"Se você conhece um bom exorcista, chame-o, monsenhor, para que faça um trabalho ali", acrescentou o mandatário ao apresentar o balanço de sua gestão em 2009 à Assembleia Nacional. "Isso é muito lamentável, um como católico, cristão, me dá uma grande dor isso", continuou.

 

Chávez sustenta que o líder estudantil Nixon Moreno "está sendo perseguido por intenção de violação a uma digna mulher Venezuela (uma agente policial) e por ferir com arma de fogo um policial".

 

O processo contra Moreno se abriu em maio de 2006, depois de violentos protestos protagonizados por jovens na cidade ocidental de Mérida, em manifestações contra uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça que suspendeu eleições de autoridades estudantis.

 

A Santa Sé aprovou em 11 de junho de 2008 um asilo diplomático para Moreno por razões de "caráter humanitário", mas o governo venezuelano se negou a autorizar a saída do dirigente, argumentando que ele devia responder à Justiça por um caso de delinquência comum.

 

Moreno ficou na Nunciatura por quase nove meses e agora está no Peru, aonde o governo avalia seu pedido de asilo. Outros adversários de Chávez, entre eles o ex-governador e ex-candidato à presidência Manuel Rosales, estão asilados no Peru.

 

Chávez acrescentou que em seu governo "fazemos votos pelas boas relações com o Vaticano, (mas) o que nós não estamos dispostos é a se calas ante o assalto de um grupo de bispos aqui na Venezuela que estão subordinados aos interesses da bastarda burguesia venezuelana."

 

Em seus 10 anos à frente da Venezuela, o líder tem mantido relações tensas com os membros da Conferência Episcopal, a quem chamou de "politiqueiros" e "pervertidos" por criticarem seu governo.

 

Os bispos, por sua parte, acusam o governante de haver "perdido seu rumo democrático e apresentar vícios de ditadura."

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