Chávez pede para chefe militar boliviano apoiar Morales

Chefe de estado admitiu que intenção de apoiar militarmente a Bolívia foi intromissão, mas a ratificou

EFE

13 de setembro de 2008 | 20h21

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em sua condição de comandante-em-chefe das Forças Armadas do país, pediu hoje ao general boliviano Luis Trigo, do mesmo grau, para apoiar o "presidente legítimo" da Bolívia, Evo Morales.   Depois de lembrar que Morales, apesar de ser presidente, não tem essa condição militar, Chávez respondeu hoje a Trigo, que já pediu explicitamente para que o presidente venezuelano não se intrometa nos assuntos da Bolívia.   O chefe de Estado venezuelano admitiu que sua intenção de apoiar militarmente o presidente boliviano constitui efetivamente em uma intromissão, mas que a ratificava.   A deposição ou assassinato de Morales daria "carta branca" para uma intervenção militar na Bolívia, disse Chávez na quinta-feira.   "Eu fiz uma declaração muito forte, reconheço, mas a ratifico. Nós não queremos nos meter nas situações internas de qualquer país, mas se derrubarem ou matarem Evo, eu digo: não vou ficar de braços cruzados", ressaltou hoje, em um ato militar, o presidente venezuelano, vestido com o uniforme de comandante-em-chefe.   Chávez lembrou que Trigo disse na sexta-feira que este "não deve se intrometer nas coisas da Bolívia". "Ele é o comandante-em-chefe das Forças Armadas da Bolívia; vejam, estou falando do comandante-em-chefe", que "toma a liberdade de, sem consultar seu presidente, responder ao presidente Chávez", acrescentou, referindo-se a si próprio.     "Pois bem, eu respondo ao general Trigo: o senhor tem razão, eu não devo me intrometer nas coisas internas da Bolívia, mas que bom seria ouvir o senhor dizer algo da ingerência grosseira e terrível do império americano em seu país. Que bom seria ouvi-lo dizer algo, o senhor general Trigo", afirmou Chávez.   Imediatamente, acusou o general boliviano de fazer parte, junto a outros altos comandantes desse país, de "uma espécie de greve de braços cruzados" e, assim, "permitirem aos fascistas paramilitares massacrar o povo da Bolívia".   "Se estou errado, general Trigo, prove o contrário e apóie o presidente legítimo da Bolívia e não os paramilitares ou os ianques que querem derrubar o presidente da Bolívia", pediu Chávez. "Em uma ocasião, estando na Bolívia" e quando "o império do Brasil, que era (um império), invadiu território boliviano", lembrou Chávez, Símon Bolívar pediu autorização para que o Exército da época enfrentasse "as forças invasoras".   Isso foi negado pelo então presidente do Congresso da Grande Colômbia, o bogotano Santander, para não pôr em risco a vida dos soldados.   "O senhor tem razão, eu não vou arriscar nem um grão de areia da Grande Colômbia, mas, a partir de hoje, combaterei como um soldado boliviano (...) e irei até o coração do Brasil e o incendiarei. Esse era Bolívar", ressaltou Chávez.

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