Chávez pede que guerrilhas não sejam tratadas como terroristas

O governante venezuelano afirmou que já sabia que seu pedido, que foi rejeitado plenamente por Bogotá

EFE,

13 de janeiro de 2008 | 01h20

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, voltou a pedir que a comunidade internacional exclua as guerrilhas colombianas das listas de organizações terroristas. O governante venezuelano afirmou que já sabia que seu pedido, que foi rejeitado plenamente por Bogotá, "geraria polêmica", mas afirmou que este é um passo prévio necessário para a paz colombiana. "Acho que já basta de guerra na Colômbia"; quem está "interessado (nisso) são os imperialistas", porque para eles está é a "desculpa perfeita para aumentar sua presença militar e nos ameaçar, ameaçar o Equador, a Nicarágua, a Bolívia, e qualquer movimento e Governo que comece a romper cadeias imperiais", afirmou. Para Chávez, os planos americanos na Colômbia contra grupos insurgentes constituem "uma agressão imperialista contra a América do Sul". "Acredito que seja o momento de os Governos da América Latina reconhecerem a guerrilha colombiana como ator político", porque o problema da violência na Colômbia "é político e é preciso buscar uma solução política", embora os Estados Unidos pretendam que seja militar, "mas isso é impossível", afirmou. Chávez acrescentou que "após os duvidosos eventos" de 11 de setembro de 2001 em Nova York, o presidente dos EUA, George W. Bush, "lançou a guerra mundial contra o terrorismo, o extermínio, e isso é o que pretende na Colômbia". "Disse ao Governo da Colômbia que demonstre de verdade que quer buscar a paz", e nesse caminho se apresenta como "passo imprescindível" o reconhecimento da guerrilha colombiana como força beligerante, afirmou. "O Governo da Colômbia e as forças insurgentes, apoiados por nós, devem buscar um acordo" que em primeiro lugar ponha limites à guerra e depois permita carimbar a paz, reiterou. "A integração da América Latina passa pela paz na Colômbia", o que os Estados Unidos "querem torpedear", concluiu. Chávez destacou também que uma das reféns libertadas na quinta-feira pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) confirmou que bombardeios frustraram a libertação prévia. "Estão dizendo coisas bem interessantes; por exemplo, Consuelo González disse que estava tudo pronto para que a libertação ocorresse no dia 31 de dezembro, mas então os bombardeios aumentaram", afirmou. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, negou na ocasião a justificativa das Farc de que o Exército de seu país bombardeava as zonas selváticas próximas à libertação e que isso tinha impedido o resgate. "Indiscutivelmente ocorreram ações de operações militares na zona onde tínhamos que nos mobilizar e que não nos permitiram chegar ao local" previsto para a libertação, afirmou na sexta-feira a ex-congressista colombiana Consuelo González.

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