Chávez pede que novo líder das Farc liberte reféns sem troca

Em seu programa dominical, o presidente venezuelano também pediu que a guerrilha abandone a luta armada

Agência Estado - Associated Press

08 de junho de 2008 | 19h06

Numa declaração surpreendente, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou neste domingo, 8, que chegou o momento de as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) abandonarem a luta armada e libertarem todos os seus reféns. Durante seu programa dominical Alô Presidente, Chávez disse ainda que está à disposição do novo líder da guerrilha colombiana, Alfonso Cano, para intermediar a libertação dos seqüestrados.   Veja também: Chávez anuncia anulação provisória de Lei de Inteligência Farc estão cada vez mais debilitadas, diz analista Morte de Marulanda mergulha as Farc em dúvidas Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região     "Acho que chegou a hora de as Farc libertarem todos os reféns em troca de nada, o que seria um grande gesto humanitário", declarou o presidente venezuelano. "Essa é minha mensagem para você, Cano: liberte essas pessoas. Há idosos, mulheres, pessoas doentes, soldados que estão presos nas montanhas há dez anos." As Farc têm hoje 40 reféns políticos e 730 seqüestrados para fins de extorsão.   Para Chávez, a luta das Farc contra o governo colombiano não tem justificativa. "No momento que a América Latina vive hoje, um movimento guerrilheiro está fora de contexto." As declarações de Chávez surpreenderam, uma vez que o líder venezuelano vinha sendo um dos principais contatos da guerrilha na comunidade internacional. No ano passado, Chávez intermediou negociações pela libertação dos reféns.   Após uma tentativa fracassada logo antes do fim do ano, as Farc acabaram libertando duas reféns - a ex-deputada Consuelo González de Perdomo e a candidata à vice-presidência Clara Rojas, em janeiro. Um mês depois, outros quatro seqüestrados foram entregues à Venezuela: os ex-senadores Gloria Polanco, Luis Eládio Pérez e Jorge Eduardo Gechem e o ex-deputado Orlando Beltrán. A grande pressão internacional agora é pela libertação da candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada em 2002.   Além de intermediar as negociações com as Farc, Chávez foi acusado de apoiar a guerrilha, enviando dinheiro e armamento. As declarações do venezuelano ocorrem num momento em que a guerrilha está enfraquecida após sofrer uma série de golpes em sua liderança. Em 1º de março, o "número 2" das Farc, Raúl Reyes, morreu durante um ataque aéreo colombiano. Uma semana depois, Iván Rios, outro membro da cúpula das Farc, foi assassinado pelo chefe de sua segurança, Pedro Pablo Montoya.   Há duas semanas, o governo colombiano anunciou a morte do líder máximo do grupo, Pedro Antonio Marín - também conhecido como "Manuel Marulanda" ou "Tirofijo". Também neste domingo, Chávez justificou sua decisão de revogar uma polêmica lei de inteligência, que obrigaria os venezuelanos a espionarem para o governo. "Ninguém pode me obrigar a me tornar um delator", disse Chávez. "Cometemos um erro e vamos corrigir a lei. Nunca atropelaríamos os direitos dos venezuelanos", emendou.

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