Chávez pede renúncia de Hillary após novo vazamento do WikiLeaks

Venezuelano diz que EUA 'foram desmascarados' e são um Estado 'fracassado e ilegal'

Efe

30 de novembro de 2010 | 04h02

CARACAS - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou na segunda-feira, 29, que o vazamento do site WikiLeaks deixou o "império desnudado", e disse que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, deveria "pelo menos renunciar" ao cargo, dada a magnitude das revelações.

 

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"O império foi desnudado. Eu não sei o que os Estados Unidos vão fazer. Quantas coisas estão saindo, como desrespeitam até seus aliados! Quanta espionagem!", expressou Chávez, durante um conselho de ministros transmitido pela emissora de TV estatal.

Segundo o presidente venezuelano, nos documentos os EUA "se referem aos seus aliados de uma maneira insólita", e revelam "uma arremetida contra governos, pessoas e entidades internacionais".

"Os EUA são um Estado fracassado, ilegal, que joga fora todos os princípios da ética, o respeito por seus próprios aliados, e isso (os documentos que vazaram) o demonstram de maneira gigantesca", disse Chávez.

O líder venezuelano expressou que "é preciso felicitar os membros da WikiLeaks e seu diretor, Julian Assange, por sua coragem e valor". "Este homem (Assange) anda praticamente clandestino, dando declarações não se sabe a partir de onde, temendo inclusive por sua vida", disse.

Chávez criticou a reação da secretária de Estado americana, que na segunda-feira condenou duramente o "roubo" de documentos da WikiLeaks, e o considerou não só "um ataque à diplomacia dos Estados Unidos, mas à comunidade internacional".

"(Hillary) deveria renunciar, é o mínimo que pode fazer. Deveriam fazer o mesmo todo esse emaranhado de espiões, de delinquentes que há no Departamento de Estado dos EUA. Deveriam dar uma resposta ao mundo, e não começar a atacar e dizer que foi um roubo", avaliou o presidente venezuelano.

Chávez se mostrou escandalizado porque os documentos revelados pela WikiLeaks indicam que Hillary supostamente mandou "realizar um estudo sobre o estado mental da presidente argentina", Cristina Kirchner, à qual expressou sua solidariedade.

"Alguém teria que estudar o estado mental da senhora Clinton", disse o governante da Venezuela, que assinalou que, após uma "análise visual" que fez da secretária de Estado, chegou à conclusão que ela se acredita superior ao presidente dos EUA, Barack Obama. "Ela, como é branca, se sente superior ao negro", expressou Chávez.

Para o Chávez, outra coisa que ficou clara "é o imenso esforço dos Estados Unidos, do Departamento de Estado, para isolar a revolução bolivariana". O líder venezuelano ressaltou que o mundo deve dar uma "poderosa resposta ética, de rejeição contundente às atitudes dos EUA".

A Venezuela, por sua parte, fortalecerá o processo de integração regional e suas "alianças estratégicas" com a Rússia, China, e países aliados na Europa e na África, precisou Chávez.

A WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos, alguns deles secretos, que se referem principalmente a comunicações do Departamento de Estado dos EUA, com mais de 270 embaixadas, consulados e missões diplomáticas do país em todo o mundo.

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