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Chávez perde em referendo sobre perpetuação no poder

O presidente venezuelano, Hugo Chávez,sofreu uma derrota eleitoral inédita na sua carreira, com arejeição em referendo de uma reforma constitucional que lhepermitiria disputar a reeleição indefinidamente e aprofundarsua "revolução socialista". O "não" obteve 50,7 por cento dos votos no domingo e o"sim" ficou com 49,49 por cento, segundo resultados divulgadosna madrugada de segunda-feira. Imediatamente, seguidores da oposição tomaram as ruas deCaracas com seus carros, bandeiras, buzinas e gritos. Muitosconsideravam que a Venezuela havia escapado por pouco daimposição de um regime autoritário. "A reforma teria feito algumas mudanças assustadoras nopaís", disse em êxtase Astrid Badell, 18 anos, tirando da bocaum apito verde de plástico. "Teria sido praticamente uma cópiada Constituição cubana, e isso seria um grande passo paratrás." Embora Chávez continue popular e poderoso, essa foi aprimeira derrota sofrida por ele em nove anos. O auto-intitulado revolucionário socialista, aliadoincondicional de Cuba, admitiu a derrota, mas disse que vai"continuar a batalha para construir o socialismo". Declarouainda que a proposta segue "viva", o que sinaliza uma intençãode insistir nela. "Não é nenhuma derrota, para mim este é outro 'porenquanto"', declarou Chávez, repetindo a frase que disse em1992 ao admitir o fracasso do golpe tentado por ele, entãotenente-coronel pára-quedista do Exército. Em seu pronunciamento no palácio de Miraflores, Chávez nãoparecia desanimado. Pediu aos seguidores que não seentristecessem e desejou "Feliz Natal" a todos. "Ouvi a voz do povo e vou sempre ouvi-la", afirmou. Estudantes, ONGs, grupos empresariais, partidos deoposição, o clero católico, alguns antigos aliados e até aex-mulher de Chávez, normalmente leal a ele, haviam semanifestado contra a reforma constitucional. "A Venezuela disse 'não' ao socialismo. A Venezuela disse'sim' à democracia", afirmou Leopoldo López, popular prefeitode um dos distritos de Caracas. Admirado nas favelas e zonas rurais pobres da Venezuela,Chávez, de 53 anos, não esconde seu desejo de governar atémorrer. Mas, sem uma reforma constitucional, terá de deixar opoder em 2013. Três ministros haviam dito antes que Chávez venceria oreferendo por uma margem de pelo menos seis pontos percentuais-- vantagem que foi sumindo conforme os resultados iam sendodivulgados. (Com reportagem de Hugh Bronstein, Brian Ellsworth,Patricia Rondon)

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