Chávez prepara viagem a Cuba e se diz otimista com nova cirurgia

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, recebeu na quinta-feira autorização da Assembleia Nacional para viajar a Cuba pelo tempo que for necessário para se submeter a uma nova cirurgia contra o câncer que o acomete e que sacode a política local a poucos meses da eleição presidencial.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

23 de fevereiro de 2012 | 17h21

"Vou voltar como sempre, com mais energia, mais entusiasmo, mais alegria e determinação para assumir meu lugar na vanguarda", disse Chávez na carta em que solicitou autorização para passar mais de cinco dias no exterior, conforme prevê a Constituição.

A autorização por tempo indeterminada foi rapidamente aprovada pela Assembleia Nacional, onde Chávez tem maioria. No ano passado, o presidente socialista já passou várias semanas se submetendo a tratamento em Havana.

Chávez, de 57 anos, anunciou nesta semana que precisa extrair uma nova lesão cancerígena na mesma região em que um tumor pélvico foi retirado no ano passado. "Estou completamente seguro que iremos vencer essa nova batalha", escreveu Chávez no seu estilo tipicamente confiante.

Políticos de oposição - que esperam impedi-lo de obter um novo mandato na eleição presidencial de 7 de outubro - pediram que Chávez nomeie um substituto temporário, algo que parece improvável. No ano passado, ele continuou governando a Venezuela a partir do seu leito hospitalar em Cuba.

Em outubro passado, Chávez se declarou curado do câncer, e a reincidência do problema gerou questionamentos sobre sua capacidade de disputar uma nova eleição e de cumprir um novo mandato de seis anos.

Desde que se elegeu pela primeira vez, em 1998, o ex-militar Chávez faz questão de transmitir uma imagem de esportista saudável, e agora se mostra claramente abalado pelos problemas de saúde.

Embora a nova operação deva gerar solidariedade, analistas dizem que as preocupações sobre sua condição podem falar mais alto. Já o candidato único da oposição, Henrique Capriles, de 39 anos, passa uma imagem de juventude e energia.

"Por um lado, parece improvável que os venezuelanos queiram votar em um presidente fraco", disse Gabriel Sanchez Zinny, especialista em América Latina da consultoria norte-americana Blue Star Strategies.

"Por outro lado, é possível que ele esteja usando sua condição para se retratar como uma vítima, tentando portanto angariar a solidariedade dos eleitores."

Chávez diz que a lesão recém-descoberta tem 2 centímetros e provavelmente é maligna. Oncologistas dizem que isso parece ser um mau sinal, embora o presidente garanta que a cirurgia será simples.

O governo não divulga outros detalhes, o que faz a máquina de rumores girar a todo vapor na Venezuela, com teorias contraditórias que apontam tanto para a morte iminente de Chávez como para a hipótese de que tudo não passe de uma farsa.

O jornalista Nelson Bocaranda, ligado à oposição, que foi o primeiro a noticiar a nova doença de Chávez, disse na quinta-feira que o presidente está pagando o preço de ter desrespeitado as ordens médicas para descansar. Em um novo artigo, Bocaranda disse que Chávez pode estar sofrendo uma metástase - algo que o presidente nega.

A perspectiva de que Chávez chegue enfraquecido à eleição animou os mercados, e os títulos venezuelanos são comercializados em alta nos últimos dias. Na quinta-feira, o papel Global 2027 alcançou seu maior valor em quase dois anos, com alta de 1,875 por cento.

(Reportagem adicional de Diego Oré e Marianna Parraga)

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