Chávez promove general acusado pelos EUA de ser chefe das drogas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quinta-feira que irá promover um alto militar acusado pelos Estados Unidos de ajudar as guerrilhas colombianas a traficar cocaína. Ele será o novo general chefe das Forças Armadas.

REUTERS

12 de novembro de 2010 | 12h21

O general Henry Rangel é atualmente chefe de operações estratégicas e será promovido ao topo da hierarquia militar neste sábado, disse Chávez.

Rangel se envolveu em outra polêmica nesta semana, quando um jornal venezuelano publicou uma entrevista na qual ele teria afirmado que o Exército não aceitaria uma vitória da oposição na eleição presidencial de 2012.

Em um discurso ao vivo transmitido por emissoras de rádio e televisão, Chávez disse que as declarações foram analisadas fora do contexto e elogiou Rangel por seu patriotismo.

"Vamos promovê-lo de general-major para general-chefe", afirmou Chávez.

Chávez também criticou José Miguel Insulza, presidente da OEA (Organização dos Estados Americanos), que classificou os comentários de Rangel como "inaceitáveis".

O áudio da entrevista ao website do jornal Últimas Noticias sugere que Rangel estava se referindo ao que as forças armadas fariam caso a oposição vencesse em 2012, defendendo o Exército de militares leais a Chávez, em vez da própria vitória da oposição.

Em 2008, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos classificou Rangel e outro importante comandante, Hugo Carvajal, como "chefões das drogas", acusando-os de ajudar materialmente as atividades de narcóticos dos rebeldes das Farc, na Colômbia. Ambos negaram as acusações.

Os EUA frequentemente acusam o governo de Chávez de ser leniente com o tráfico de cocaína. O presidente, que encerrou a cooperação com a Agência Antidrogas dos Estados Unidos há vários anos, afirma que seu governo investiu milhões de dólares no combate aos traficantes.

MUDANÇA DE NOME

Chávez também brincou que mudará seu sobrenome para cumprir as regras da Real Academia Espanhola, que entre outras normas eliminará as conjunções "ch" e "ll" a partir de dezembro.

"Ficaram sabendo da eliminação do 'Ch', então passarei a me chamar ávez", afirmou o presidente, em meio a risadas de seus colaboradores, que participavam de uma conselho de ministros.

A reforma ortográfica elaborada pela academia espanhola, que será publicada no fim deste ano, deixa o alfabeto espanhol com 27 letras e dita uma série de novas normas de escrita.

(Reportagem de Frank Jack Daniel e Mario Naranjo)

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