Chávez propõe referendo sobre reeleição para 15 de fevereiro

Presidente venezuelano promete expropriar shopping em Caracas para construir escola ou universidade

Agências internacionais,

22 de dezembro de 2008 | 08h39

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aproveitou a última transmissão de seu programa "Alô Presidente!" neste ano para ressaltar seu projeto de reeleição ilimitada, sugerindo a data de 15 de fevereiro para a realização do referendo para alterar a Constituição do país. Durante mais de 5 horas neste domingo, 21, Chávez falou sobre a emenda constitucional Se sua proposta sair vencedora, ele poderá ampliar sua permanência no governo, voltando a candidatar-se em 2012, em busca de, pelo menos, um terceiro mandato presidencial. Os eleitores venezuelanos já tinham se manifestado contra a proposta no último referendo sobre o assunto, realizado no ano passado. "O referendo poderia ser em fevereiro. Seria, inclusive, para fazer a vontade da oposição", disse ele em referência ao período escolhido pela oposição para desencadear uma série de atos de campanha contra a emenda da reeleição. Chávez ordenou no domingo a paralisação das obras para construção de um shopping em Caracas. Chávez advertiu que o governo expropriará o imóvel. Durante seu programa dominical de rádio e televisão, Chávez disse que o centro comercial Sambil provocaria problemas de trânsito na zona de La Candelaria, no centro da capital. "Ali na Candelaria, onde não cabe uma alma, estão fazendo um Sambil. Isso vai levar ao colapso todo o centro de Caracas", disse o presidente. "Vamos expropriar isso e convertê-lo em uma clínica, não sei em quê, em uma escola, em uma universidade. Não, não e não", afirmou, durante a transmissão do palácio presidencial de Miraflores. A Construtora Sambil, encarregada da obra, não comentou as declarações. A companhia opera centros comerciais em cidades de todo o país, e também tem outro grande ponto de venda em Caracas. A estrutura grandiosa ocuparia uma quadra da cidade. "Não haverá um Sambil em Candelaria, isso é um crime", disse Chávez. Para Chávez, é incoerente que um governo "socialista" permita que um grande centro comercial ocupe um espaço público vital na capital. Chávez já nacionalizou a maior companhia telefônica da Venezuela, o serviço elétrico e projetos petrolíferos, como parte da iniciativa que qualifica como o "socialismo do século 21". Chávez pediu a suspensão das obras do shopping ao prefeito do município de Libertador, na região de Caracas, Jorge Rodríguez. Velho aliado do presidente, Rodríguez se comprometeu a cumprir a missão. O presidente não falou sobre quanto seria pago aos responsáveis pelo empreendimento.

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