Chávez publica 'Carta aos presidentes da Unasul'

Em artigo em jornal argentino, presidente denuncia "contraofensivas" dos EUA e lamenta tensão com a Colômbia

Efe,

27 de agosto de 2009 | 12h12

 

"Abra os olhos", diz outdoor em Bogotá, na Colômbia, com imagem de Chávez. Foto: AP

 

BUENOS AIRES - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, denunciou que "o império americano iniciou uma contraofensivas" perante "os avanços progressistas e democráticos" no continente em mensagem para seus colegas da União de Nações Sul-americanas (Unasul). Em artigo no jornal argentino Página/12 nesta quinta-feira, 27, o venezuelano se mostrou "profundamente preocupado pela tensão com a Colômbia frente à instalação de pelo menos sete bases militares" americanas no país.

 

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O texto, que leva como título "Carta aos presidentes da Unasul", foi publicado um dia antes da cúpula da Unasul na cidade argentina de Bariloche, cujo tema principal de debate será o novo acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos. "O império americano iniciou um contraofensiva anti-histórica e retrógrada com o propósito de reverter a união, a soberania e a democracia em nosso continente e impor a restauração da dominação imperial em todos os âmbitos da vida de nossas sociedades", advertiu.

 

Segundo o governante venezuelano, "esta contra-fensiva teve início dia 28 de junho, com o perverso golpe de Estado cometido na irmã pátria hondurenha", que tirou do poder o presidente Manuel Zelaya. "Do meu governo estamos real e profundamente preocupados pela situação de tensão com a irmã república da Colômbia frente à instalação de, pelo menos, sete bases militares nesse querido e irmão território sul-americano", acrescentou.

 

Considerou que "este fato é parte de um plano político e militar orquestrado para acabar com o projeto da Unasul, além de ser a maior ameaça neste momento histórico para as infinitas riquezas" que jazem no continente. "Seria um erro grave pensar que a ameaça é só para a Venezuela; vai dirigida a todos os países do sul do continente, sentença o companheiro Fidel (Castro) em suas reflexões", assinalou Chávez em alusão ao líder cubano.

 

"O povo da Colômbia tem direito à paz" e "não pode querer uma elite servil, cujo negócio é a guerra no irmão país, expandir e impor seu conflito armado com a pretensão de estigmatizar e desestabilizar os movimentos progressistas e revolucionários que de maneira legítima, democrática e pacífica avançamos com os sonhos e bandeiras dos libertadores", sustentou.

 

"Chegou a hora da América do Sul, a hora de Unasul, confiamos na capacidade política de nossa nascente união para enfrentar na atualidade esta ameaça, que compromete o porvir de nossas repúblicas, o porvir de nossos povos e o porvir de toda a humanidade", sentenciou o presidente da Venezuela.

 

Nas últimas horas, Chávez também disse desde Caracas que será "difícil e complicada" a cúpula da Unasul da próxima sexta-feira na Argentina, que estará centrada "só" no acordo militar da Colômbia e Estados Unidos. Os presidentes dos doze países da Unasul se reunirão em Bariloche (cidade situada a 1.650 quilômetros ao sul de Buenos Aires) para tentar limar as divergências e conseguir do líder colombiano, Álvaro Uribe, garantias sobre seu acordo com Washington.

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