Chávez queima todos os cartuchos por reeleição na Venezuela

Brilhando sob o sol escaldante das planícies venezuelanas aparece a caminhonete preta que traz Hugo Chávez ao seu primeiro ato de campanha do dia. Ele sai rapidamente, cumprimenta os colaboradores e em segundos seu rosto se cobre de suor, enquanto tenta proteger os olhos do reflexo intenso.

MARIO NARANJO, Reuters

03 de outubro de 2012 | 17h32

Pouco depois, já completamente molhado pelo calor, dá meia-volta e entra em um camarim montado sob um gigantesco palanque, onde permanece uns minutos para se refrescar e voltar a sair.

O presidente faz um breve contato com a imprensa e sobe quase correndo uma grande escada que o leva a um tablado gigantesco. O locutor anuncia a chegada do "furacão bolivariano" e os milhares de simpatizantes gastam suas gargantas com gritos de apoio. Logo começa o show de Chávez.

Assim começa cada jornada da reta final da campanha, apenas cinco meses depois de ter sido submetido à sua terceira cirurgia para combater um câncer na zona abdominal que levou milhões de pessoas a temer por sua vida.

No domingo, os venezuelanos poderão elegê-lo para presidir o país por outros seis anos e Chávez, depois de um início lento, está queimando todos os seus cartuchos.

"Não sei como o presidente aguenta, mas eu fiquei acabado", confessa o chanceler Nicolás Maduro, no terceiro dia do tour pelo interior do país.

Nos últimos dias da campanha, Chávez busca emular uma das marchas vitoriosas do libertador Simón Bolívar, uma de suas maiores referências, para chegar na quinta-feira a Caracas e fazer o ato final do périplo.

Se ganhar a eleição, terá o caminho livre para cumprir 20 anos seguidos no poder do país que tem as maiores reservas de petróleo do mundo.

UM PRESIDENTE MELHOR

A multidão delira e Chávez começa a expor com seu discurso inflamado as razões pelas quais os venezuelanos devem elegê-lo de novo.

Em cada comício repete as mesmas perguntas ao público e responde a cada uma delas. Fustiga o concorrente Henrique Capriles e promete ser "um presidente melhor".

Quase uma hora mais tarde, termina o comício e abandona o cenário. Toma água e bebidas energéticas que saem de uma bolsa negra que tem escrito seu nome, como uma mochila escolar. Dali também provêm as toalhas com as quais novamente se seca do suor que inunda o seu rosto.

Sem descansar, vai até um caminhão que tem uma plataforma, de onde cumprimenta os simpatizantes. O veículo começa uma caravana que transita a passo lento em meio a uma multidão.

O militar da reserva de 58 anos cumprimenta as pessoas, distribui beijos e bate o punho esquerdo na palma direita para indicar que sua revolução socialista vencerá novamente.

A multidão responde com gritos ensurdecedores. Entre os milhares de cartazes com slogans ideológicos, se sobressaem centenas de faixas nas quais mulheres demonstram sua admiração pelo candidato, ao qual lançam beijos ao vê-lo passar. "Meu gordo belo, te amo", lê-se em uma delas.

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