Palácio de Miraflores/Efe
Palácio de Miraflores/Efe

Chávez quer ser 'dono de tudo' na Venezuela, diz oposição

Para coordenador de partido, 'propriedade social' seria pretexto para presidente realizar expropriações

estadao.com.br,

08 de fevereiro de 2010 | 08h13

O coordenador nacional do partido de oposição Primero Justicia, Julio Borges, acusou o presidente Hugo Chávez , de usar a figura da "propriedade social" para justificar as expropriações que só têm como objetivo fazer-lhe "dono de tudo", segundo reportagem publicada nesta segunda-feira, 8, na edição online do jornal El Universal.

 

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 As declarações de Borges, em Chacaíto, coincidiram com a decisão de Chávez de ordenar a expropriação do centro joalheiro que funciona há décadas em um edifício em Caracas.

 

Por várias semanas, Borges vem advertindo sobre o fato de que todas as expropriações ordenadas por Chávez não somente prejudicam o erário público pelos poucos casos em que os proprietários recebem dinheiro após terem os imóveis confiscados. Segundo o opositor, o discurso de que os trabalhadores se beneficiariam da medida é mentira e "a produção e o emprego irão pelo ralo".

 

Borges citou oito casos que julgou emblemáticos e que explicam sua denúncia. "São histórias de fracassos e enganos que só se explicam pela atitude egoísta de um presidente obcecado por ser dono de tudo", disse o opositor, citando dados recentes que indicam o apoio dos venezuelanos à propriedade privada.

 

Segundo Borges, 49% das ações da fábrica de válvulas Inveval, expropriada em 2003, foram prometidas aos seus trabalhadores, mas o Estado é proprietário de 100% delas. Da papeleira Invepal, expropriada em 2005, o governo controla 83%. Outras empresas estatizadas fizeram com que seus trabalhadores vendessem suas ações ao governo.

 

"O governo continua com a obsessão egoísta de querer ser dono de tudo, de controlar tudo", disse o opositor. Borges lembrou que o vice-presidente Elías Jaua alertou que o governo tentará fazem com que tudo se converta em propriedade social "como se isso se traduzisse em propriedade para o povo, mas os venezuelanos sabem que as 120 empresas expropriadas até agora terminaram nas mãos do governo".

 

Ao detalhar o prejuízo das expropriações nos empregos, Borges exemplificou com a cooperativa Invetex, que começou com 300 trabalhadores e agora tem apenas 100. "A processadora de arroz Cargill, expropriada há um ano, supostamente por não produzir um produto de acordo com as normas, viu sua produção cair pela metade e seus trabalhadores tiveram os salários reduzidos pela metade", concluiu o coordenador do Primero Justicia.

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