Chávez reconhece derrota e parabeniza oposição

Presidente venezuelano disse que a reforma constitucional 'segue viva' e que 'este é o caminho'

Agências internacionais,

03 de dezembro de 2007 | 05h58

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reconheceu na madrugada desta segunda-feira sua derrota no referendo sobre a reforma constitucional. Em uma disputa acirrada, o "não" venceu por 50,7% dos votos contra 49,29%, do sim.   Veja também: Venezuela rejeita reforma constitucional Resultado é 'vitória da democracia', diz oposição Chávez diz que aceita qualquer resultado Venezuela vota em clima tranqüilo Tensão na América do Sul  Conheça pontos centrais da reforma   Acompanhe a trajetória de Hugo Chávez       "Parabenizo os meus adversários por esta vitória", disse o presidente venezuelano, que propôs as mudanças à Carta Magna de 1999. Ele pediu para que a oposição aprenda com a vitória e abandonem para sempre o caminho da violência.   O presidente venezuelano reconheceu que o resultado era irreversível e agradeceu a ajuda dos militares, aos venezuelanos e ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), as instituições e imprensa estrangeira.   Chávez disse ainda que a reforma constitucional "segue viva" e que "este é o caminho". "Por enquanto, não conseguimos", manifestou Chávez, antes de acrescentar que cumpre seu compromisso de respeitar as instituições e de que continuará a perseguir o estabelecimento do Socialismo do século XXI no país.   Durante o pronunciamento em rede nacional, Chávez fez um comparativo com as eleições presidenciais do ano passado e do referendo deste domingo. "Há um ano votaram por mim 7 milhões e 300 mil venezuelanos e na oposição, uns 4 milhões. Para nós, faltaram 3 milhões de votos no referendo. Estou convencido que estas pessoas não votaram contra, elas não foram votar".   "Para mim isso não é derrota nenhuma. Para mim esse é outro 'por enquanto"', disse Chávez, repetindo a frase que dissera ao admitir o fracasso do golpe de Estado que ele tentou em 1992, quando era tenente-coronel pára-quedista do Exército.   Esse é o primeiro revés político de Chávez em nove anos de governo e após nove processos eleitorais consecutivos. Com a derrota, Chávez tende a "desacelerar a revolução". O governo atribuiu a derrota ao alto nível de abstenção no referendo, de 44,9%: "A abstenção nos derrotou", justificou Chávez.   A participação neste referendo foi consideravelmente inferior à das últimas eleições presidenciais e do último referendo realizado em 2004, quando a abstenção foi de 25,3 e 30%, respectivamente. O referendo popular não requer uma quantidade mínima de eleitores participantes para ser válido.   Resultado   Mais de 50% dos venezuelanos votaram contra a reforma constitucional proposta por Chávez, segundo o primeiro boletim oficial divulgado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).   O CNE assinalou que 50,7% dos venezuelanos votaram contra o primeiro bloco de artigos submetidos à consulta, enquanto 49,29% optaram pelo "sim".   Além disso, 51,05% rejeitaram o segundo bloco de artigos, enquanto 48,94% o aprovaram. A abstenção no referendo foi de 44,9%.   O anúncio oficial dos resultados eleitorais foi marcado por tensão, já que o Conselho Nacional Eleitoral demorou quatro horas para emitir o primeiro boletim oficial. A oposição passou a pressionar e a exigir um pronunciamento oficial.

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