Chávez reitera que espera desculpas do rei

"Eu não fiz nada inadequado, o que fiz foi uma reflexão histórica", alegou o presidente venezuelano

EFE

17 de novembro de 2007 | 00h31

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reiterou nesta sexta-feira que "o mínimo" que espera é que o rei da Espanha peça "desculpas" pelo episódio ocorrido na cúpula de Santiago, mas disse também que não quer agravar a polêmica. Na terça-feira, Chávez anunciou que submeteria as relações com a Espanha a "revisão profunda". Ele repetiu que tem dúvidas de se o rei Juan Carlos I estaria ou não a par do golpe de Estado que em abril de 2002 derrubou o presidente durante 48 horas. "Eu não quero que isto continue se agravando", afirmou Chávez, em entrevista transmitida ao vivo pela televisão estatal venezuelana. "O mínimo que a Venezuela e sua dignidade de Estado independente podem esperar do rei da Espanha é que ele, de alguma maneira - eu não vou pedir que ele se ajoelhe, não - que de alguma maneira reconheça que ele passou dos limites, que fez algo inadequado", declarou Chávez. "Eu não fiz nada inadequado, senhor (presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez) Zapatero, o que fiz foi uma reflexão histórica", alegou o presidente venezuelano. Chávez assegurou que o ministro do Exterior da Espanha, Miguel Ángel Moratinos "jogou lenha na fogueira", assim como a mídia, ao dizer que "nós começamos o incidente". "Em vez de dizer 'bom, este é um incidente lamentável, não haverá conseqüências', e tal. Mas eles começam a jogar lenha na fogueira", afirmou. Moratinos também teve uma atitude incompreensível, disse Chávez, porque por um lado o chanceler espanhol enviou mensagens conciliadoras e por outro divulgou uma versão supostamente falsificada dos fatos ocorridos na Cúpula Ibero-americana. "Ele manda mensagens por várias vias de que eles não querem uma escalada, que eles não querem um conflito na Espanha. Mas na quinta-feira ele disse que o que ocorreu em Santiago foi que o presidente Zapatero fez uma exposição magnífica, e Daniel Ortega e eu viemos e batemos por isso, por estar defendendo nossa velha esquerda, uma coisa assim, bem absurda", disse o presidente venezuelano. Chávez já tinha dito anteriormente que está esperando as "desculpas" que o rei deveria pedir à Venezuela e à região ibero-americana por tê-lo mandado se calar em plena sessão da cúpula.

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