Chávez: relação com EUA sofrerá em caso de novas medidas

Venezuelano convoca reunião com os presidentes dos países da Unasul para discutir crise boliviana

Efe,

13 de setembro de 2008 | 04h37

As relações econômicas entre Venezuela e Estados Unidos serão prejudicadas caso Washington adote medidas adicionais à expulsão do embaixador venezuelano, Bernardo Álvarez, indicou nesta sexta-feira, 12, o presidente Hugo Chávez. O líder venezuelano também afirmou que os países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) vão se reunir na segunda para discutir a crise boliviana. Veja tambémEmbaixador venezuelano expulso por Washington chega a Caracas "Nós não temos nenhum outro plano. Nossa ação foi apenas um gesto diplomático forte de solidariedade com o povo irmão boliviano e com nosso próprio povo", disse Chávez em entrevista por telefone à estatal Venezolana de Televisión. "Somente os EUA poderiam afetar as relações energéticas, comerciais e empresariais, se assim decidirem. E eles assumirão qualquer responsabilidade sobre isso", acrescentou. A Venezuela decidiu na quinta-feira se solidarizar com a Bolívia e expulsou o embaixador americano em Caracas, Patrick Duddy, medida que foi respondida por Washington com a expulsão de Álvarez, que nesta sexta retornou ao país. "Jamais em minha vida me arrependerei de ter tomado essa decisão", disse o governante venezuelano. Chávez também comentou sobre a acusação feita hoje pelos EUA de que membros do Governo teriam ligação com a guerrilha colombiana. "Esta é uma acusação sem fundamentação, baseada em mentiras (...) Eles (os EUA) que apóiam o terrorismo e dão milhões de dólares a grupos terroristas na Venezuela, no Equador, na Bolívia. Eles são os maiores consumidores de drogas. Eles que têm a maior plantação de maconha do planeta", afirmou. Além disso, Chávez disse que toda a América Latina está "pedindo" que o próximo presidente dos EUA "revise muito bem a maneira como serão as relações com um continente que despertou". Reunião Unasul Hugo Chávez anunciou nesta sexta-feira uma reunião de presidentes dos países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na próxima segunda-feira, em Santiago, para discutir a crise da Bolívia. Em entrevista à televisão estatal venezuelana, Chávez disse que conversou nas últimas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus colegas de Bolívia, Evo Morales; Argentina, Cristina de Kirchner; Chile, Michelle Bachelet; Paraguai, Fernando Lugo; Equador, Rafael Correa, e Colômbia, Álvaro Uribe. "Decidimos na tarde de hoje (sexta-feira) nos reunir em Santiago na segunda-feira à tarde, uma reunião extraordinária da Unasul em busca de ações", afirmou o presidente venezuelano. Chávez disse que comentou com seus colegas que é preciso "agir a tempo, antes que a Bolívia tenha cinco ou dez mil mortos pela crise, e antes que tenham derrubado Morales". "Há um golpe de Estado em andamento. Estão derrubando Morales debaixo dos nossos narizes e isso vai gerar um impacto terrível, uma catástrofe na América do Sul", afirmou.

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