Chávez retém recursos de regiões opositoras, acusam rivais

Estados e municípios governados pela oposição não estariam recebendo verba para o pagamento de salários

Ruth Costas, O Estado de S. Paulo

20 de novembro de 2008 | 07h15

O presidente venezuelano já está cortando os recursos que deveriam ser repassados para governos locais opositores, de acordo com denúncias do governador de Zulia, Manuel Rosales. Segundo Rosales, Hugo Chávez estaria retendo intencionalmente o dinheiro usado para pagar funcionários públicos em Estados e prefeituras governados por seus adversários há pelo menos 45 dias com o objetivo de enfraquecê-los na véspera das eleições regionais. "É o cúmulo que eles sabotem os planos das pessoas, retendo seu salário e as bonificações de fim de ano", afirmou Rosales, em comício em Maracaibo, capital de Zulia. "Tentamos cobrir os salários com nossas reservas, mas não temos mais de onde tirar recursos."    No domingo, cerca de 16 milhões de venezuelanos estão aptos a escolher 22 governadores, 328 prefeitos e 233 parlamentares regionais. Segundo as pesquisas, a oposição tem chances de conquistar de 4 a 8 dos 22 Estados do país - entre eles os mais ricos e populosos.    Veja também: 'O governo não tem provas contra mim', diz opositor de Chávez Enviada à Venezuela comenta eleições no Estado natal de Chávez   'Sem clemência'   Nas últimas semanas, Chávez vem atacando líderes opositores e ameaçando não enviar recursos para governos da oposição. "Vamos continuar pressionando a oposição sem clemência em todo o país", afirmou na terça-feira. A quatro dias das eleições, oposição e governo se preparavam ontem para enfrentar a jornada de domingo. O partido Um Novo Tempo, de Rosales, anunciou que acionará, por meio de seus comitês de campanha, mais de 100 mil fiscais partidários.   No Estado de Miranda e na capital, Caracas, mais de 2 mil estudantes também se inscreveram para cumprir tal tarefa. O Conselho Nacional Eleitoral começou a enviar urnas para alguns Estados mais distantes e as forças de segurança já assumiram alguns de seus postos para a votação.   "Certamente as eleições de domingo são decisivas porque podem começar a alterar o mapa político venezuelano", disse ao Estado Heilet Morales, editor de política do jornal Panorama, o principal de Zulia. "No entanto, por mais que haja confrontos com Caracas, não acredito que essa situação possa impulsionar demandas por mais autonomia. Há uma identidade nacional muito forte e os zulianos sentem-se, antes de tudo, venezuelanos."

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