Chávez revela detalhes do plano para libertação dos reféns

Governo colombiano aceita plano de Chávez; estratégia começa a funcionar na manhã de quinta

Mariana Della Barba, enviada especial,

26 de dezembro de 2007 | 19h35

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, revelou nesta quarta-feira, 26, detalhes de seu plano para libertação dos três reféns, prometida na semana passada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Durante mais de duas horas de entrevista no Palácio de Miraflores, em Caracas, ele especificou quais aeroportos serviriam de base para helicópteros e aviões usados na operação e afirmou que estava apenas esperando o sinal verde do presidente colombiano, Álvaro Uribe, para colocar em prática sua estratégia.   Veja Também: Libertação será em caravana aérea, diz Chávez Familiares de reféns confiam no plano Chávez 'elogia' portunhol de Lula em coletiva sobre Farc Cronologia: do seqüestro à perspectiva de liberdade Entenda o que são as Farc    Pouco mais de uma hora após o anúncio de Chávez, o governo Uribe autorizou a entrada dos enviados do venezuelano na selva da Colômbia para resgatar das mãos dos guerrilheiros a ex-deputada Consuelo González de Perdomo, Clara Rojas (assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt) e de seu filho Emmanuel, que nasceu no cativeiro há três anos.   Chávez afirmou que, após o aval de Bogotá, sua "caravana" partiria logo em seguida . As operações de resgate começariam na manhã de quinta-feira. Ele deixou claro que o aval colombiano era fundamental pois somente a partir daí haveria "uma operação humanitária transparente, com acompanhamento do mundo todo".   Caso contrário, disse o venezuelano, "seria necessária uma operação clandestina, que também já está planejada, mas que só colocaria em prática se não tiver outro jeito". Para corroborar sua "Operação Transparência", como qualificou o processo, convidou representantes de seis países, além da Colômbia, para integrar a ação: França, Argentina, Brasil, Bolívia, Cuba e Equador.   De acordo com o plano, os represetnantes viajariam numa caravana de aviões e helicópteros da Venezuela até a cidade colombiana de Villavicencio. Da cidade, embarcariam em helicópteros com emblemas da Cruz Vermelha Internacional até um ponto não revelado da selva, onde recolheriam os reféns e os levariam a Villavicencio ou diretamente a território venezuelano.   Segundo um membro da comissão internacional que vai monitorar a operação liderada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a equipe viajará até a Colômbia na quinta-feira de manhã. "Esperamos chegar ao local da troca amanhã mesmo, e poder na noite de quinta entregar os reféns a suas famílias em Bogotá, Colômbia", disse Gustavo Larrea, representante do Equador na comissão da libertação.   Brasil e Argentina   O assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia viaja nesta quarta-feira para Caracas para integrar o grupo de representantes de países que estão colaborando com a libertação de reféns das Farc. A participação de Marco Aurélio foi pedida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.   De acordo com informação do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou na segunda e terça-feira com Hugo Chávez, que pediu a participação do Brasil no grupo que tem trabalhado pela libertação dos reféns. Lula disse que o Brasil faria parte da missão, desde que o governo da Colômbia concordasse. Com o sim do presidente Álvaro Uribe, Marco Aurélio Garcia foi destacado para viajar para Caracas. Ele estava de férias.   A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, nomeou o seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner para chefiar a delegação argentina que vai acompanhar a liberação dos reféns.Kirchner viajará com o chanceler Jorge Taiana em missão diplomática para atuar como fiador do processo, segundo nota do governo. Kirchner vai representando a sua esposa, segundo informou o chefe de Gabinete da Presidência, Alberto Fernández. A missão partirá nas primeiras horas desta quinta-feira.   (Com Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo; Marina Guimarães, da Agência Estado; Reuters)

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