Arquivo/AE
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Chávez se enganou sobre ações da Globovisión, diz acionista

Governo teria direito, no máximo, a 20%, sem direito de indicar diretores do canal

estadão.com.br

21 de julho de 2010 | 17h02

O acionista e ex-diretor da rede de TV venezuelana Globovisión, Alberto Federico Ravell, disse nesta quarta-feira, 21, que o presidente do país, Hugo Chávez, se 'equivocou no baile dos números' e descartou que o Estado possa controlar o canal de linha editorial crítica ao governo.

"Não sei de onde o presidente tirou estes números", disse Ravell à agência Efe.

Na terça-feira, Chávez disse que o governo poderia ter até 48,5% das ações da Globovisión. Destas, 28,5% são de Nelson Mezerhane, dono do Banco Federal - que sofreu intervenção do governo por supostos problemas de liquidez. Os outros 20% seriam "de um senhor de sobrenome Tenório que lamentavelmente faleceu".

Segundo Ravell, ele tem 10% das ações. Mezerhane conta com 25%. A herdeira de Luiz Núñez controla 20%. O empresário Guillermo Zuloaga, acusado por Chávez de corrupção, tem 45%.

Ainda de acordo com o acionista, de acordo com o estatuto do canal, só quem tem a maioria das ações pode nomear membros da junta diretiva. Também na terça-feira, Chávez disse que pretendia nomear comunicadores favoráveis a ele para a direção do canal.

"Não vejo, dessa forma, como o presidente pode controlar o canal", afirmou Ravell. "Mas tudo pode acontecer em um Estado autocrático, onde não existe divisão de poderes e onde se violam as leis de maneira constante".

Segundo Chávez, não há direito de herança sobre o setor de comunicações, por isso o Estado poderia adquirir a parcela de ações do acionista falecido. O controle das ações, no entanto, está registrado sob pessoa jurídica.

Logo após o anúncio de Chávez, a Globovisón divulgou um comunicado em seu site, no qual afirma que a única concessionária do canal é a empresa "Corpomedios GV Inversiones, C.A.", cujos acionistas são três pessoas jurídicas, uma das quais é o Sindicato Ávila, representado por Nelson Mezerhane. Contestando o presidente, a emissora afirma que ele possui apenas 20% das ações da Corpomedios.

O texto também declara que os acionistas não têm direito de designar membros da Junta Diretiva da Corpomedios, já que são escolhidos pela Assembleia Nacional de Acionistas. Além disso, segundo a mensagem, independente de quem estiver em sua Junta Diretiva, "a linha editorial da Globovisión não tem porcentagem de ações. Ela não se expropria".

No dia da intervenção ao Banco Federal, em 14 de junho, Mezerhane disse à Globovisión que estava em Miami para fazer exames médicos. Logo depois, foi ditada uma ordem de prisão contra ele.

O presidente do canal e seu acionista majoritário, Guillermo Zuloaga, também é foragido da Justiça venezuelana após ter sido acusado de usura e associação criminosa por manter vinte veículos em sua propriedade. O empresário também se encontra nos Estados Unidos.

Zuloaga e Mezerhane consideram sua procura pela Justiça como um ato político por causa da linha editorial crítica ao governo adotada pela Globovisión.

Em 2007, Chávez recusou-se a renovar a concessão da emissora RCTV, crítica a seu governo, que teve de parar de transmitir em canal aberto e mudar sua sede para os EUA. No ano passado, as operadoras de canais a cabo também foram obrigadas a deixar de colocar no ar os programas da emissora logo depois de a RCTV ter se recusado a veicular as cadeias nacionais.

Reação dos EUA

Nesta quarta, o Departamento de Estado americano assinalou que examinará o caso com cuidado. "Estaremos observando cuidadosamente, disse o porta-voz do órgão, Phillip Crowley.

Com informações da Efe

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