Chávez se reúne com familiares de reféns das Farc

Presidente venezuelano está disposto a conversar diretamente com guerrilheiros

Associated Press,

21 de agosto de 2007 | 01h39

O presidente venezuelano Hugo Chávez se reuniu na segunda-feira, 20, com familiares dos reféns do maior grupo insurgente colombiano. Ele ofereceu "toda a ajuda" possível como intermediário para chegar a um acordo humanitário entre o governo colombiano e os guerrilheiros. O encontro faz parte dos esforços para buscar um acordo humanitário entre o governo do presidente colombiano Alvaro Uribe e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que permita a libertação de políticos, policiais e militares seqüestrados. "Eu venho com um compromisso, mas depois de apertar as mãos de vocês, depois de ouvir cada um de vocês... O compromisso que tenho cresceu e peço a Deus que nos ajude", disse Chávez durante o encontro na noite de segunda em Caracas. "Eu decidi aceitar o pedido de ser, em uma primeira aproximação, uma espécie de observador e vou ajudar com ações", destacou. Chávez pediu para Uribe e para Manuel Marulanda que facilitem a tarefa e que não impeçam as negociações. "Que estejamos todos com a melhor disposição de ceder, ainda que seja apenas um pouco", disse. Marulanda é o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O presidente venezuelano expressou repetidamente sua disposição a dialogar diretamente com a guerrilha colombiana para chegar a uma troca humanitária dos seqüestrados."Desde hoje começamos a trabalhar para fazermos um contato com o comando e o secretariado das Farc, para que possamos ganhar posições", indicou Chávez. Ele acrescentou que vai ajudar a senadora Córdoba a fazer contatos com a guerrilha. Chávez disse ainda que não se importa com os comentários que ele tem contato com líderes guerrilheiros, porque o único objetivo dele é "ser útil". Ele colocou que, se preciso, a Venezuela está de portas abertas para ser palco de um encontro entre as partes envolvidas. Entre os 16 presentes na reunião estavam Yolanda Pulecio, mãe da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, e o professor Gustavo Moncayo, que realizou uma extensa caminhada pela Colômbia para pressionar pela libertação de seu filho, um policial seqüestrado. Deyanira Ortiz, esposa do ex-legislador do Departamento de Huila, Orlando Beltrán, seqüestrado em 2001, agradeceu o "gesto humanitário" de Chávez. "Estamos seguros e temos fé de que nossos familiares serão soltos", disse. Angela de Pérez, esposa do ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez, disse, um pouco antes de se reunir com Chávez, que a visita "iria render bons frutos pela vida e pela liberdade dos familiares". Outros familiares de nove políticos colombianos que ainda permanecem seqüestrados e "três representantes do lado militar" estiveram presentes no encontro. A reunião se realizou com a mediação da senadora colombiana Piedad Córdoba, que recentemente recebeu permissão do presidente Uribe para atuar como mediadora perante os guerrilheiros em busca de uma acordo humanitário. No dia 31 de agosto, o presidente colombiano vai se reunir com Chávez para tratarem do papel do venezuelano como mediador. As Farc mantêm seqüestradas centenas de pessoas, incluindo Betancourt e três americanos. O grupo rebelde exige a saída de militares de uma área de 800 quilômetros quadrados de uma região no sudeste do país, para dialogar sobre uma troca humanitária, mas o governo se nega a desmilitarizar a área.

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