Chávez silencia sobre morte de fundador das Farc

Venezuelano evita criar novo impasse com a Colômbia, como quando lamentou a morte de Raúl Reyes

REUTERS

27 de maio de 2008 | 10h12

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, fez silêncio na segunda-feira sobre a morte do líder das Farc, Manuel Marulanda, recentemente revelada em meio à tensão diplomática entre Caracas e Bogotá. O presidente, que propôs meses atrás o reconhecimento da beligerância política da guerrilha de esquerda, evitou incitar uma disputa parecida à que aconteceu quando ele lamentou a morte de Raúl Reyes, segundo no comando das Farc, durante um ataque colombiano no Equador.   Veja também: Novo líder das Farc tem 'portas abertas' para negociar Farc estão cada vez mais debilitadas, diz analista Morte de Marulanda mergulha as Farc em dúvidas 'Alfonso Cano', o novo líder das Farc Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região   Timochenko confirma a morte de Tirofijo    Na ocasião, Chávez disse que Reyes era "um bom revolucionário" e se opôs à violação do território equatoriano pelo governo de Alvaro Uribe, chegando a mobilizar tropas à fronteira com a Colômbia e retirar sua equipe diplomática do país. A Colômbia não fez o mesmo.   Na segunda-feira, Chávez falou por mais de uma hora com atletas venezuelanos que irão às Olimpíadas de Pequim, em um ato transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão. Mas o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, disse horas antes que alguns "porta-vozes" tentam manipular e vincular Chávez às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) devido à coincidência de ambos defenderem o socialismo e o "bolivarismo". O governo da Colômbia acusa a Venezuela e o Equador de manterem vínculos econômicos com as Farc, mas ambos negam as acusações.   O chanceler argumentou que os encontros entre Chávez e líderes das Farc foram autorizados pelo governo da Colômbia, que pediu no ano passado que a Venezuela mediasse a libertação de 40 reféns das Farc, em troca de cerca de 500 militantes presos. "Toda a relação que nosso governo teve com a guerrilha colombiana foi por pedido e com autorização do governo de Alvaro Uribe... e assim sempre será", disse.   Maduro também garantiu que Caracas apoiará qualquer esforço pela paz na Colômbia. Para o chanceler, as Farc são um problema interno colombiano. Ele disse que as Forças Armadas da Venezuela foram instruídas para combaterem qualquer grupo rebelde que ultrapassar a fronteira. Bogotá tenta provar o envolvimento de Chávez com as Farc com arquivos de computadores encontrados no acampamento onde morreu Reyes.

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