Chávez teria 'agenda oculta' para libertação de reféns das Farc

Segundo 'El Tiempo', Uribe poderia estar irritado com negociações secretas conduzidas por venezuelano

Agências internacionais,

22 de novembro de 2007 | 16h06

O telefonema do presidente Hugo Chávez ao comandante do Exército da Colômbia, Mario Montoya, foi apenas o ponto mais alto de uma "agenda paralela e oculta" estabelecida pelo líder venezuelano nas negociações pela libertação de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), informou o jornal colombiano El Tiempo em sua edição eletrônica desta quinta-feira, 22.   Veja também: Colômbia encerra missão de Chávez com Farc França pede retomada de mediação de Chávez   De acordo com o diário, o presidente Álvaro Uribe pode ter encerrado a mediação do líder venezuelano com as Farc por conta de supostos contatos secretos entre Chávez, a senadora colombiana Piedad Córdoba e autoridades e personalidades colombianas.   O governo de Bogotá teria revogado a participação da Venezuela na negociação dos reféns mantidos pelo grupo por considerar que as negociações sem o conhecimento de Uribe seriam "intoleráveis por violarem a soberania nacional".   A decisão foi anunciada na noite de quarta-feira, 21, depois de Chávez, por intermédio da senadora Córdoba, ter se comunicado por telefone com Montoya, ao qual fez perguntas sobre os seqüestrados em poder das Farc.   Depois de receber um telefonema de Montoya e conhecer os detalhes do ocorrido, Uribe tomou a decisão de conduzir pessoalmente as negociações. "Teremos que fazer todos os esforços pela paz e pelo acordo humanitário, levando em conta que não se pode colocar em risco a segurança democrática que é o que nos garantirá a paz e acabará com os seqüestros que tanto afeta o nosso país", disse Uribe em Bogotá, segundo a agência France Presse.   Uribe e Chávez tinham acertado recentemente em Santiago, durante a Cúpula Ibero-Americana, que a questão dos reféns seria tratada pessoalmente entre os dois e sem utilizar outros canais de comunicação, explicou o governo colombiano.   Desgaste   Mais do que a ligação a Montoya, analistas colombianos vêem sinais de uma falta de sintonia maior entre Chávez e Uribe. "Há coisas que incomodam o governo e que o país não sabe. Dá medo a Uribe que Chávez acabe fazendo concessões demais à guerrilha. O governo estava buscando uma forma de se retirar", disse ao El Tiempo o cientista político Fernando Giraldo.   Nesta semana, o presidente colombiano chegou a renovar a sua confiança nas negociações de Chávez e afirmou que estava seguro de que nenhuma outra pessoa no mundo seria mais indicada para que a guerrilha entregasse os reféns.   Desde agosto, Chávez vinha atuando como mediador entre o governo da Colômbia e as Farc na busca de um acordo humanitário que permita que 45 reféns sejam soltos em troca da libertação de cerca de 500 integrantes do grupo guerrilheiro que estão presos. Além da ex-candidata franco-colombiana Ingrid Betancourt, as Farc mantêm seqüestrados três norte-americanos, cinco ex-congressistas, um ex-governador e vários integrantes das Forças Armadas.   Após o anúncio do fim da mediação de Chávez, o governo francês apelou a Uribe para que reavalie sua decisão.

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