Chávez toma controle de fábrica de massas da Cargill

Governo afirma que medida temporária foi tomada porque empresa não produz com preços estabelecidos

Reuters,

15 de maio de 2009 | 13h16

Autoridades da Venezuela, incluindo soldados, tomaram controle nesta sexta-feira, 15, de uma fábrica de massas da Cargill em meio a uma disputa por preços, configurando a mais recente ação do presidente Hugo Chávez contra a gigante americana de alimentos.

 

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Em uma década, Chávez já nacionalizou grandes instalações do país, incluindo uma beneficiadora de arroz da Cargill no início deste ano e dezenas de companhias petrolíferas. Desde 2007, o governo chavista avança em seu plano para obter maior controle econômico e produtivo do Estado em detrimento do setor privado, incluindo a nacionalização de grandes empresas de capital estrangeiro.

 

O vice-ministro dos Alimentos Rafael Coronado disse que a nova ação, de caráter temporário, foi ordenada após autoridades concluírem que a fábrica não estava produzindo o suficiente de um tipo de massa comercializada a preços mais baixos estabelecidos pelo governo.

 

"Houve um descumprimento da lei", disse Coronado para emissoras de televisão do lado de fora da fábrica na região costeira de Vargas. Coronado acrescentou que, após 90 dias, o governo poderia decidir tomar uma medida contra a instalação. A Cargill Venezuela, filial de uma das maiores empresas privadas dos EUA no país, afirmou que não pretende fazer comentários sobre a decisão.

 

Durante seu governo, Chávez impulsionou sua agenda socialista com a tomada de milhares de hectares de terras das mãos de empresas privadas e nacionalizou grandes empresas petrolíferas, de telecomunicações, energia e cimento com a renda do aumento dos preços do petróleo nos últimos cinco anos. Mesmo com a queda dos lucros, o presidente seguiu com seu projeto, concretizando a compra da siderúrgica Sidor e anunciando um acordo com o banco do grupo espanhol Santander por sua unidade local.

 

Neste ano, Chávez teve como alvo as indústrias beneficiadoras de alimentos, acusando-as de monopolizar e especular com os preços no país com as taxas maiores do que a inflação e que recentemente teve problemas de desabastecimento, impactando na alta popularidade do presidente.

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