Chávez transformará Bolívia em 'Vietnã' se Evo for derrubado

Presidente venezuelano promete intervenção militar e afirma que questão já foi debatida inclusive com Lula

Efe,

15 de outubro de 2007 | 08h25

O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou no domingo, 14, em Cuba que seu país agirá militarmente se a elite da Bolívia derrubar ou assassinar o presidente boliviano, Evo Morales. Segundo a agência France Presse, o líder ameaçou, durante o seu programa "Alô Presidente", transmitido de Cuba, transformar a Bolívia em um novo "Vietnã", se a oposição boliviana tentasse acabar com a administração do colega.   "Se a oligarquia boliviana conseguir derrubar ou assassinar Evo, o governo venezuelano, nós venezuelanos, não vamos ficar de braços cruzados", disse Chávez durante seu programa em homenagem ao revolucionário argentino Che Guevara, em que Fidel deu declarações ao telefone depois durante mais de uma hora.   Chávez afirmou que conhece as conspirações contra o presidente boliviano e as tentativas do "império (EUA) em derrubá-lo, porque Evo é dos que não se vendem, é incorruptível, e também não é bruto, é inteligente, tem coragem, vigor e estão conspirando contra ele".   Ele advertiu ainda que a elite boliviana deve ter "muito cuidado", porque esse "não seria talvez o Vietnã das idéias, da Constituinte, seria então, talvez, Deus não queira, o Vietnã das metralhadoras, da guerra".   O líder venezuelano acrescentou que conversou com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a necessidade de evitar um golpe na Bolívia durante a  reunião que tiveram em Manaus, no mês passado. "Eu disse a Lula: 'Lula, eu acho que devemos fazer algo para evitar que aconteça na Bolívia o que já aconteceu na Venezuela em 2002'", contou.   Segundo a agência francesa, Chávez lembrou que "estamos vendo a profecia de Che: um Vietnã, dois, três Vietnãs na América Latina. Equador, Venezuela, são povos rebelados. O que é a Bolívia hoje se não um Vietnã? Um povo que despertou, um líder à frente que está derrotando as forças do Império e os lacaios oligarcas, que arremetem contra Evo, Venezuela e Cuba".   "Alô Presidente"   Chávez apresentou seu programa semanal de rádio e televisão do mausoléu de Ernesto "Che" Guevara na cidade cubana de Santa Clara, como parte dos atos organizados em comemoração ao 40º aniversário do assassinato do argentino na Bolívia, em 9 de outubro de 1967.   No ar, Chávez e Fidel brincaram sobre a forma do sul-americano de comandar o programa e conversaram sobre Che, sobre a situação dos movimentos de esquerda na América Latina e sobre o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.   "Até Bush às vezes grampeia esse telefone", disse Chávez, ao dizer que a ligação foi feita via satélite "para que Bush não entre na conversa".   "Nem brincando diga que eu falo com Lúcifer", respondeu Fidel. "Falando de Bush, ele é poderoso demais para falar com um demônio. Hugo, você e eu somos o eixo do mal".   "Excuse me", desculpou-se Chávez em inglês num momento da conversa. Ele começou seu programa com um "bom dia para a nossa América" e uma saudação para o cubano: "Como vai, Fidel, how are you? Good morning!".   Fidel Castro e Hugo Chávez cumprimentaram a força da revolução na América Latina e apostaram na proliferação dos "Vietnãs" contra o "Império", em referência aos EUA.   Hugo Chávez afirmou ainda que a Venezuela e Cuba são um mesmo país que vai em direção a uma confederação de repúblicas bolivarianas, caribenhas e sul-americanas. "No fundo, somos um só governo", disse Chávez, assegurando que a afirmação que Cuba e Venezuela têm dois presidentes incomodaria a oligarquia venezuelana.

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