Chávez volta a ameaçar canal de TV privado venezuelano

Presidente diz que o país não vai 'tolerar' por muito tempo o 'terrorismo diário' promovido pela Globovisión

Agências internacionais,

15 de maio de 2009 | 08h26

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou a ameaçar na quinta-feira, 14, os meios e comunicação privados, especificamente o canal de televisão Globovisión, e prometeu que "não permitirá", que a emissora continue fazendo "terrorismo diário" e acreditando que está "por cima da lei".

 

Sem citar diretamente a Globovisión, Chávez se dirigiu claramente ao canal. "Todos sabemos de quem estou falando... Estamos na presença de uma agressão terrorista contra a Venezuela internamente e temos de destacar com nome e sobrenome os terroristas de colarinho branco, de gravata, que possuem canais de televisão, jornais e estações de rádio".

 

Segundo a agência AFP, Chávez afirmou ainda que se houvesse mesmo no país uma ditadura, como critica a imprensa, "há muito tempo não haveria rastro destes quatro burgueses enlouquecidos de ódio" que fazem "terrorismo diário, violando a Constituição e agredindo o coletivo nacional". "Pela dignidade de todos nós não podemos continuar tolerando e não vamos tolerar, mas tudo tem seu tempo".

 

No domingo, Chávez ameaçou tomar "medidas severas" contra as emissoras de rádio e TV que "causarem problemas" para seu governo. As ameaças foram feitas no programa de TV semanal do líder venezuelano Alô, Presidente. Chávez acusou os meios de comunicação privados de incitar o ódio e conspirar contra seu governo, apoiando rebeliões militares e tentativas de assassinato. O presidente disse que as emissoras opositoras podem esperar "uma surpresinha" se continuarem com "tais ações". "Elas estão brincando com fogo, manipulando e incitando ao ódio", afirmou.

 

 

Na semana passada, o Conatel, órgão que regula as telecomunicações na Venezuela, começou a investigar a Globovisión por "incitar o pânico e a ansiedade entre a população" ao noticiar o terremoto que abalou Caracas no dia 4 sem antes consultar as autoridades do país. Logo após o tremor, a Globovisión deu a informação do Serviço Geológico dos EUA de que o abalo sísmico seria de magnitude 5,4. Além disso, Ravell criticou o que qualificou como uma reação lenta de funcionários do governo. Segundo a Conatel, apesar de a Fundação Venezuelana de Pesquisas Sismológicas mais tarde confirmar a intensidade do terremoto, a TV pode ser multada ou obrigada a interromper suas transmissões temporariamente.

 

Concessão negada

 

Em maio de 2007, o governo venezuelano recusou-se a renovar a concessão da opositora Rádio Caracas Televisão (RCTV), que estava havia 53 anos no ar e era a emissora de TV mais popular da Venezuela. Chávez acusou o diretor da TV, Marcel Granier, de ter participado do golpe contra seu governo em 2002. Na época, a decisão desatou uma onda de protestos em toda a Venezuela. Os grupos estudantis venezuelanos tiveram uma grande participação no movimento - o que não ocorria havia muitos anos no país.

 

Desde então, a RCTV transmite a partir de Miami em sinal fechado. Os índices de audiência da emissora que a substituiu na frequência do canal 2 - a Televisão Venezuelana Social (Teves) - são de cerca de 2%. Quando ainda transmitia em sinal aberto, a RCTV costumava ter 40% da audiência.

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