Chávez volta à cena em cúpula sem os EUA

Cinco meses depois de ser operado de um câncer, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, volta a dominar a cena política regional, na qualidade de anfitrião de uma cúpula reunindo 33 lídereslatino-americanos e caribenhos.

ENRIQUE ANDRÉS PRETEL, REUTERS

02 de dezembro de 2011 | 11h02

O evento de sexta-feira e sábado, em Caracas, marca a fundação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac), que não inclui Estados Unidos e Canadá, e que é vista por muitos como um organismo alternativo à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em julho, uma cúpula que seria realizada na Venezuela para celebrar os 200 anos da independência do país foi cancelada devido à doença de Chávez, que chegou a colocar em dúvida sua capacidade de disputar um novo mandato em 2012.

Após quatro sessões de quimioterapia, Chávez se diz recuperado e pronto para concorrer à reeleição, embora médicos independentes digam que é cedo para ele proclamar a cura.

Ele reduziu sua agenda de aparições públicas desde que adoeceu e, por isso, aliados e adversários estarão atentos a sinais sobre sua saúde durante a cúpula.

"Essa é a primeira vez que Chávez se mostrará diante dos seus pares regionais desde que lhe diagnosticaram o câncer, e, como sempre, ele vai querer aparecer bem no grande palco," disse um diplomata europeu de alto escalão.

Analistas dizem que, além de servir para Chávez ostentar sua recuperação, a cúpula da Celac terá apenas um caráter simbólico, e muitos duvidam da utilidade do novo bloco em meio aos vários organismos já existentes para promover a integração latino-americana.

Em Caracas, porém, reina o otimismo com o evento, no qual estarão presentes os presidentes de Argentina, Brasil, Colômbia e Peru, entre outros.

"Isso (a criação da Celac) é na verdade algo histórico... É um primeiro passo, não é a vitória, mas é um primeiro passo porque desde 1800 começou a luta (pela independência) deste continente," disse Chávez numa recente reunião ministerial.

A cúpula deve discutir a criação de um fundo financeiro comum para fazer frente às turbulências financeiras internacionais, e a formação de um organismo de direitos humanos alternativo à OEA.

Apesar da vocação de Chávez e seus aliados esquerdistas para tentar impor a retórica "anti-imperalista" na Celac, alguns analistas dizem que a presença de vários governantes de centro e direita deve fazer com que a declaração final da reunião não constitua um ataque frontal aos EUA e à OEA.

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