Chavistas denunciam emissora por 'distorcer' violência na UCV

Em entrevista, sindicalista dá versão de governistas sobre incidente que deixou nove feridos na quarta-feira

André Mascarenhas, estadao.com.br

09 de novembro de 2007 | 21h48

Representantes de estudantes e trabalhadores da Universidade Central da Venezuela (UCV) partidários do presidente Hugo Chávez denunciaram a rede de TV Globovisión à Procuradoria Geral da República nesta sexta-feira, 9, acusando-a de incitar o ódio entre os venezuelanos.   Veja também: Farc entregarão provas de vida de reféns Uribe anuncia reunião com Chávez Chávez minimiza protestos cantando no Chile Farc aprovam mediação de Chávez Estudantes acusam Chávez por violência Partidários e opositores se enfrentam no Chile Chávez está entre os 5 mais sexy do País   Segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores da UCV, Eduardo Sánchez, a decisão é uma resposta ao que ele classificou como uma tentativa da emissora em distorcer os acontecimentos da última quarta-feira, 7, quando grupos de oposicionistas e chavistas entraram em confronto na sede da universidade.   Os enfrentamentos vieram após o termino de uma marcha de estudantes contrários à reforma constitucional proposta por Chávez que será referendada no próximo dia 2. Polêmico, o pacote de mudanças inclui a extensão do mandato presidencial de seis para sete anos, o fim de limitações à reeleição e a legalização da censura caso um estado de exceção seja decretado.   Em entrevista ao portal estadao.com.br, o dirigente sindical - um partidário declarado do presidente - deu a versão dos chavistas sobre o que aconteceu. Como era de se esperar, a descrição vai no sentido oposto ao que foi divulgado pela maioria dos meios de comunicação e setores da oposição venezuelana.   "Os meios de comunicação da Venezuela transmitem as coisas que interessam a apenas um dos lados", diz Sánchez.   Segundo a versão do sindicalista, a violência registrada na quarta-feira começou depois que estudantes oposicionistas atacaram um grupo de chavistas que distribuíam pelo campus da UCV material publicitário favorável ao "Sim" no referendo. Acuados, os governistas teriam se entrincheirado na Escola de Trabalho Social, de onde haviam acabado de sair após uma assembléia de alunos, professores e funcionários da instituição.   Ainda de acordo com o relato de Sánchez, os oposicionistas - alguns armados - atiraram pedras e tentaram colocar fogo no prédio da faculdade.   Chavistas armados   O dirigente admite, no entanto, que motoqueiros armados ligados aos chavistas foram chamados para "permitir a saída" dos estudantes e professores presos no Escola de Trabalho Social. Isso porque, segundo ele, as forças de segurança não tiveram autorização da reitoria da UCV para entrar na universidade - e se entrassem sem a autorização, estariam violando a lei de autonomia universitária.   "Nós assumimos, com muita responsabilidade", diz ele quando perguntado sobre a presença de elementos armados entre os chavistas. "Falamos com o reitor ele nos deu as costas. A vigilância universitária não poderia intervir, a polícia não poderia intervir, a guarda nacional não poderia intervir; ninguém poderia intervir. Estavam todos assistindo eles queimarem um edifício com mais de 150 pessoas dentro. Então nós decidimos assumir a responsabilidade e pedir a um grupo de motoqueiros que ingressasse na universidade e resolvesse a questão. Alguns que estavam armados e que tinham porte de arma entraram na instalação e soltaram os jovens. O que indigna a oposição e a esses meios (de comunicação) é que todos estavam esperando um massacre, um assassinato em massa, para depois dizer que os chavistas que morreram ali eram gente da oposição, porque sempre fazem isso."   De acordo com ele, todos os nove feridos nos incidentes eram partidários do chavismo.   "Dos quatro feridos de bala, três eram estudantes da Escola de Trabalho Social e um de Sociologia, todos a favor do sim. E os outros cinco que foram feridos na cabeça, todos, sem exceção, eram partidários do sim." Sánchez critica ainda a imprensa pelas versões que colocam os chavistas como principais protagonistas da violência. Os meios de comunicação, segundo ele, mostram os motoqueiros armados como assassinos mas "guardam um silêncio cúmplice sobre a atitude hostil de um grupo de estudantes motivados por dirigentes armados do partido de extrema direita 'bandeira Vermelha'", que teriam liderado o assalto contra o prédio da Escola de Trabalho Social.   "Ainda assim, acusam os chavistas pela violência. Mas os que estavam mascarados nas ruas, os que queimaram a escola, eram dos setores da direita", defende-se, exaltado, Sánchez.

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