Chavistas dizem que Constituição será aprovada em 3 meses

Governistas estão otimistas quanto à reforma apresentada nesta quarta pelo presidente da Venezuela

Efe,

15 de agosto de 2007 | 19h41

Partidários do governo venezuelano acreditam que a reforma constitucional que será apresentada na noite desta quarta-feira, 15, pelo presidente Hugo Chávez será aprovada pela Assembléia Nacional (AN) em no máximo três meses. Nos cálculos dos governistas, o texto deverá ser submetido a referendo popular até dezembro.  Para a oposição, entretanto, a reforma da Constituição Bolivariana de 1999 é "desnecessária". Chávez apresentará sua proposta aos 167 membros da AN, todos chavistas, às 20 horas de Brasília desta quarta-feira.  Como revelado a conta-gotas pelo governante, a reforma incluirá uma lei permitindo a reeleição indefinida do presidente, o reordenamento da divisão político-territorial do país e dará embasamento constitucional ao Poder Popular.  Segundo o deputado oficialista Calixto Ortega, "entre o final de novembro ou princípio dedezembro" deverá ser "submetido a referendo popular o projeto de reforma constitucional". Ortega argumentou que se a Assembléia Nacional Constituinte (ANC) de 1999 "demorou seis meses para redigir os 350 artigos da Carta Magna" vigente, o Legislativo terá "mais que o suficiente em dois meses e meio ou três para fazer uma reforma" pontual. Segundo a presidente da AN, Cilia Flores, o Legislativo "começará amanhã mesmo a trabalhar na reforma" constitucional para "tratar de aprovar o projeto em dois ou três meses". Para setores da oposição, no entanto, a reforma é "desnecessária", porque toca em assuntos que não estão em consonância com os problemas que atualmente afrontam o país. "Nos parece inoportuno e desnecessário. Os problemas da Venezuela não têm relação com os pontos da reforma constitucional", disse Juan Carlos Caldera, dirigente do partido opositor Primeira Justiça (PJ). O PJ "também não está de acordo com a maneira secreta com que se confeccionou a reforma", agregou Caldera. Em última instância, uma reforma constitucional como a que será apresentada por Chávez "deveria ser discutida por um mecanismo mais amplo, como uma Assembléia Nacional Constituinte". Animosidade O clima de animosidade entre governistas e opositores de Chávez também se reproduziu nas ruas de Caracas. Partidários de Chávez se reuniram nesta quarta-feira em frente a sede da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), em Caracas, para fazer frente a uma marcha opositora "contra a corrupção petrolífera".  Os simpatizantes de Chávez advertiram que não permitiriam a aproximação dos opositores à sede da PDVSA. A manifestação, entretanto, não foi levada a cabo. Nenhum dirigente da oposição deu razões para a suspensão da marcha, mas, segundo testemunhas, poucas pessoas se concentraram no lugar programado par ao início do protesto. Batizada de "Marcha da maleta vazia" ou "maletaço", a manifestação foi convocada em alusão aos quase US$ 800 mil não declarados encontrados com um empresário venezuelano que tentou entrar na Argentina no fim de semana. O homem viajava em um jato particular ao lado de executivos da PDVSA e da estatal argentina Energia Argentina (Enarsa).

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