Chavistas enfrentam dilema de apoiar a reeleição indefinida

Deputados discutem se apresentam proposta da emenda de Chávez ou aguardam coleta de assinaturas

Agências internacionais,

05 de dezembro de 2008 | 08h55

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), liderado pelo presidente Hugo Chávez, ainda não decidiu quais serão os mecanismos mais apropriados para apresentar a emenda constitucional pedida por Chávez para garantir sua reeleição indefinida, segundo afirma a edição do jornal El País desta sexta-feira, 5. "Estou convencido de que é muito cedo para a retirada", afirmou Chávez nesta semana, reiterando o pedido para que partidários convoquem um referendo para aprovar uma emenda constitucional que permita a reforma na Constituição. "A via da Assembléia Nacional tem uma vantagem: é mais rápida", afirmou. Porém, segundo o jornal, esta é uma responsabilidade política que alguns deputados do PSUV preferem não assumir. A Constituição venezuelana aprovada em 2000 obriga a autoridade eleitoral a submeter a referendo as emendas 30 dias depois de elas serem oficialmente apresentadas. Os pedidos de emenda podem ser feitos por 30% dos integrantes da unicameral Assembléia Nacional, por 15% dos eleitores ou diretamente pelo chefe de Estado. Chávez já fez uso desta última opção quando há um ano sua proposta de reformar a Carta Magna com esse mesmo fim foi rejeitada nas urnas, no que se tornou seu primeiro revés eleitoral. Se a reforma do texto constitucional for rejeitada mais uma vez pelos eleitores, o líder venezuelano deverá deixar o poder ao término de seu atual mandato, em fevereiro de 2013. Chávez já afirmou aos seus seguidores que a emenda deve ser aprovada "já", no máximo em fevereiro de 2009. Porém, sua ofensiva pela reeleição indefinida ainda não foi suficiente para que os chavistas decidas se será mesmo "o povo", através da coleta de 2,5 milhões de assinaturas, que a reforma será apresentada, ou pelos 30% dos deputados da Assembléia. Os políticos se reúnem nesta sexta com o presidente para buscar uma solução. A Assembléia Nacional, formada por 167 deputados, é totalmente controlada pelo chavismo. Na teoria, não haveria dificuldades para aprovar a "simples emenda" - como afirma o presidente. Porém, nos bastidores, alguns deputados da ala mais moderada do PSUV questionam a constitucionalidade de outorgar ao presidente a possibilidade de perpetuar-se na presidência indefinidamente. Segundo o jornal, um dos ex-aliados de Chávez, o deputado Ismael García, já propôs a criação de uma Frente Ampla de Defesa da Constituição para se opor à proposta. Porém, até quinta, apenas dez pessoas aderiram. Muitos sabem que se posicionar contra o presidente poderia implicar no fim do seu futuro político, mas que o contrário pode implicar também na reforma de Chávez.

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