Chavistas tomam sede do arcebispado de Caracas

Um grupo de manifestantes governistas,entre os quais parlamentares, realizou na quarta-feira uma"tomada pacífica" do Palácio da Arquidiocese de Caracas a fimde chamar atenção para a suposta existência de planos queameaçam a "revolução" promovida pelo presidente da Venezuela,Hugo Chávez. Os chavistas entraram no local para ler um documento ecriticar a liderança da Igreja Católica, um canal venezuelanode TV e a empresa petrolífera ExxonMobil, dos EUA. Além disso,denunciar que estavam sendo perseguidos os "coletivos"comunitários ligados ao governo. "Igreja, a senhora deveria estar do lado do povo, comoficou Cristo, e não negociando como um mercador. Queremos umarevolução, uma ressurreição da Igreja. Esta que está aí nãoserve", afirmou a dirigente Lina Ron, em entrevista coletivarealizada dentro do recinto, localizado no centro da capitalvenezuelana. A invasão aconteceu depois de um ato comemorativo doCaracazo, de 1989, quando ocorreram saques e levantes em massadevido às políticas econômicas do governo de então, sancionadaspelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Ron afirmou que a "direita" estaria interessada em criardistúrbios e saques como os de 1989 para desestabilizar o país. "Com Chávez, tudo, sem Chávez, chumbo", gritaram depois daleitura do documento. Os manifestantes entraram no PalácioArquiepiscopal apesar da presença da polícia. "Eles insistiam sobre o fato de que realizariam uma tomadapacífica, de que não estariam armados, de que não destruiriamnada. Foi isso o que disseram o tempo todo e acho que agirammais ou menos dessa forma", afirmou ao canal Globovisión obispo auxiliar de Caracas, Jesús González. No local encontra-se o gabinete do cardeal e arcebispo deCaracas, Jorge Urosa, que, por diversas vezes, criticou ogoverno de Chávez. "Essa escalada da violência que se verifica na Venezueladeve chegar ao fim e cabe ao governo nacional fazer isso",afirmou Urosa, ao condenar a invasão. Ron, de seu lado, afirmou que o Ministério do Interior vemperseguindo nos bairros pobres os dirigentes dos "coletivos"comunitários e que alguns deles foram executados. "Que acabem as invasões no bairro de 23 de Janeiro e norestante de Caracas. Que acabe a perseguição contra nossoscamaradas imediatamente", disse Ron. Nas últimas semanas, o governo iniciou uma grande operaçãopolicial na capital para tentar diminuir as altas taxas decriminalidade. Toda semana dezenas de pessoas morrem naVenezuela em consequência de crimes violentos. "Não se pode aceitar que persigam a nós, os pobres, e quepremiem os ricos", acrescentou Ron, acompanhada de jovens cujosrostos estavam cobertos com panos vermelho e branco. O grupo,pouco depois de falar com os meios de comunicação, abandonou olocal. Os governistas também criticaram a ação judicial iniciadapela Exxon devido à nacionalização de um projeto petrolíferoque mantinha no país. E acusaram a Globovisión de tentardesestabilizar a Venezuela. Chávez nega que seu "socialismo à la venezuelana" tenhamatizes violentos e afirmou, diversas vezes, que seu governopromove "uma revolução do amor". (Reportagem de Fabián Andrés Cambero)

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