Chefe da polícia do Peru renuncia e aumenta pressão sobre Humala

O chefe da polícia do Peru renunciou na noite de quarta-feira no momento em que o presidente Ollanta Humala enfrenta uma crescente pressão sobre o aumento da criminalidade no país andino depois de dois assassinatos de alto perfil.

Reuters

07 de março de 2013 | 14h39

Os assassinatos corroeram ainda mais a confiança na força policial e prejudicaram a aprovação de Humala, que caiu para o menor nível em três meses, em 51 por cento, por causa das preocupações de que ele não está fazendo o suficiente para combater o crime, de acordo com uma pesquisa da Datum publicada nesta semana.

Parlamentares da oposição e até mesmo alguns aliados centristas de Humala tinham pedido a renúncia do chefe da polícia Raul Salazar e do ministro do Interior, Wilfredo Pedraza, que não saiu, apesar dos pedidos de alguns congressistas.

"Reformas policiais estão a caminho e devem ser fortalecidas e apoiadas por todos", escreveu Salazar em sua carta de demissão, cuja cópia foi divulgada pelo Ministério do Interior.

A pesquisa de opinião desta semana foi realizada alguns dias depois de um fotojornalista proeminente ser morto a tiros na frente de sua casa. O assassinato ocorreu dias após um empresário ser baleado durante um assalto a alguns metros de uma delegacia de polícia.

Ainda não está claro por que o fotógrafo, que trabalhava para o jornal El Comercio, foi morto.

Humala, um ex-oficial militar, é um dos presidentes mais populares no Peru em anos.

Sua taxa de aprovação caiu várias vezes por questões de segurança, incluindo conflitos violentos sobre projetos de mineração em terras altas e as tentativas falhas do governo para acabar com uma insurgência de esquerda que supervisiona o tráfico de drogas.

Humala elevou os salários dos policiais e reforçou o treinamento e as patrulhas, mas a corrupção e o crime permanecem generalizados.

O crime na região metropolitana de Lima dobrou entre 2000 e 2011, com sequestros e homicídios triplicando, de acordo com dados do governo.

Segundo a pesquisa Datum, 45 por cento dos peruanos acham que o governo não está fazendo nada para impedir o crime, acima dos 36 por cento em novembro de 2011, logo após Humala tomar posse.

O levantamento de 1.304 pessoas foi realizado entre 27 de fevereiro e 1 de março e tem uma margem de erro de 2,7 pontos percentuais.

(Reportagem de Marco Aquino)

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