Chefe das Farc diz que encontro com Chávez é possível

Guerrilheiro aponta Marulanda, líder da facção, como indicado a negociar com presidente venezuelano

Ansa e Efe,

03 de setembro de 2007 | 17h11

Um dos dirigente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, confirmou em entrevista publicada nesta segunda-feira, 3, ao jornal mexicano La Jornada, a possibilidade de um encontro entre o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o líder guerrilheiro Manuel Marulanda, fundador e principal comandante das Farc.   Veja Também Farc reafirmam que deputados morreram em fogo cruzado Chefe das Farc ligado a Beira-Mar morre na Colômbia   Cruz Vermelha resgata 11 deputados mortos pelas Farc     Reyes disse, ainda, que Marulanda poderia facilitar o intercâmbio de prisioneiros colombianos nas mãos dos guerrilheiros.   No mesmo dia da entrevista, os presidentes Chávez e Álvaro Uribe (Colômbia) se reuniram, em Bogotá, para buscar uma solução ao problema de troca de prisioneiros entre as Farc e o governo colombiano. Para Reyes, Chávez pode exercer "um papel muito importante" neste caso específico e também para o futuro, na "busca de saídas políticas que a Colômbia necessita".   "A colaboração do presidente Chávez, com sua habilidade, sagacidade e o prestígio que ganhou no continente, ajudará a resolver o tema do intercâmbio humanitário", afirmou.   "Chávez é um homem cortês, que sente a dor do povo e que trabalha por soluções, convencido em prosseguir com os feitos bolivarianos. Ele é um bolivariano íntegro e, como tal, um anti-imperialista", prosseguiu Reyes.   Sobre a possível reunião entre Chávez e Marulanda, o dirigente das Farc afirmou que seria um "encontro histórico, necessário para o bem de toda a região e, particularmente, para o povo colombiano".   Contudo, considerou que esta reunião "há de ser trabalhada e organizada" para "preparar as condições adequadas". Reyes acusa o governo colombiano de não facilitar um acordo para intercambiar prisioneiros.   Negociação de Chávez   O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, disse nesta segunda que espera que a mediação de Chávez seja o ponto de partida para o processo de libertação dos reféns das Farc.   "Quero que seja o ponto de partida para que as Farc libertem os seqüestrados", disse Santos, que está em visita à Coréia do Sul e não quis entrar em detalhes.   Já a guerrilha colombiana do Exercito de Libertação Nacional (ELN) agradeceu nesta segunda o apoio dado por Chávez às negociações de paz que realiza com o Governo colombiano e que estão estagnadas no momento.   "Avaliamos de maneira significativa o apoio do Governo da Venezuela aos processos de paz da Colômbia, e em particular agradecemos ao presidente Hugo Chávez pela nova dinâmica para contribuir no processo", disse o ELN.   A guerrilha reiterou que a estagnação do processo de paz se deve a divergências entre ela e o governo sobre uma possível trégua e sobre onde ficariam os rebeldes neste caso.   Chávez se reuniu na capital colombiana com o presidente do país, Álvaro Uribe, e com o alto comissário presidencial para a Paz, Luis Carlos Restrepo, para estudar os processos de paz na Colômbia.   O grupo guerrilheiro disse no comunicado que tem "plena vontade e disposição de construir acordos sobre o cessar-fogo e as hostilidades", e acrescentou que encontra "obstáculos no Governo na medida que este acredita que é o ELN que deve ceder e ser flexível".   "Entendemos que a construção da paz se dá sobre a base de acordos entre as partes, não pela imposição de uma sobre a outra", ressaltou o grupo rebelde colombiano.

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