Chega a Madri primeiro grupo de 7 presos libertados em Cuba

Prisioneiros são os primeiros dos 56 a serem libertados pelo governo cubano

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2010 | 09h28

 

MADRI - O primeiro grupo de sete presos políticos libertados pelo governo de Cuba chegou nesta terça-feira, 13, a Madri, informaram as autoridades espanholas, colocando assim fim à apreensão das famílias dos prisioneiros que aguardavam sua libertação desde o fim da semana passada.

 

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Os prisioneiros chegaram à capital do país às 14h20 (9h20, horário de Brasília) em dois voos comerciais separados, acompanhados de 33 familiares e representantes do governo espanhol. No primeiro viajaram Léster González, Omar Ruiz, Antonio Villarreal, Julio César Gálvez, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco, junto a seus familiares.

 

Em outro avião foi esperada a chegada de Ricardo González Alfonso. Os presos foram recebidos por Agustín Santos, diretor de gabinete do ministro de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos.

 

Apenas dois dos dissidentes de manifestaram durante uma coletiva de imprensa organizada imediatamente após sua chegada. Julio César Gálvez leu um comunicado em que afirmou que os presos libertados são "a vanguarda de um grupo de prisioneiros de consciência mantido pelo governo cubano."

 

Gálvez também lembrou aqueles que continuam presos em Cuba e disse: "temos a esperança que os que continuam em Cuba venham a gozar da mesma liberdade que temos neste momento." Para Gálvez, a libertação "significa o início de uma nova etapa para o futuro de Cuba e de todos os cubanos."

 

Ricardo González Alfonso também falou com a multidão de jornalistas. Ele afirmou que "este processo de acompanhamento pelo governo espanhol das conversas entre a Igreja e o governo da ilha é um passo. Não é o primeiro passo, mas tb não será o último."

 

González deixou claro que que vai continuar em Madri a luta pela libertação de todos os presos que continuam em Havana. "Uma palavra cabe a Cuba: mudança. Para mim e para os meus companheiros a mudança começa pela liberdade", afirmou, "Cuba merece a democracia."

 

O dissidente Omar Ruiz concedeu entrevista na segunda por celular quando seguia para o aeroporto internacional José Martí, em Havana, onde se reuniu com familiares em uma sala de espera. Todos foram conduzidos em seguida para um voo da Air Europa com destino a Madri. "Não podíamos nos mover e éramos vigiados", contou Ruiz, visivelmente emocionado. "Não me considerarei livre até que cheguei à Espanha", havia dito.

 

Os sete presos libertados, os primeiros dentre 20 que comunicaram seu desejo de vir à Espanha, viajaram para Madri na companhia de seus familiares. Todos são parte do grupo de 56 prisioneiros que Cuba decidiu libertar após firmar um acordo com o Arcebispado de Havana.

 

Os ex-prisioneiros foram levados depois da entrevista para um hotel desconhecido da imprensa. Eles permanecerão pelo menos ate amanhã neste hotel antes que sejam levados ate suas novas residências na Espanha.

 

Em Madri eles não terão status de exilados, mas de imigrantes comuns, segundo explica o Ministério das Relações Exteriores da Espanha. A medida visa permitir que tanto os ex-prisioneiros como seus familiares possam trabalhar no país. 

 

Os outros presos que aceitaram viajar à espanha devem ser libertados nos próximos dias, enquanto o restante será solto nos "próximos três ou quatro meses", segundo o pacto entre o regime castrista e a Igreja Católica.

 

(Com informações as agências Efe e Reuters)

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