Chile avalia como melhorar acesso marítimo da Bolívia

O Chile admitiu na quinta-feira queestuda medidas para melhorar o acesso marítimo da Bolívia,dando assim mais um sinal de aproximação entre os dois paísespouco depois de, nesta semana, ter autorizado o livre trânsitode mercadorias bolivianas até o porto chileno de Iquique. A Bolívia, há muito tempo, reivindica retomar a saída parao mar que perdeu para o Chile na Guerra do Pacífico (1879),apesar de, nos últimos anos, haver ocorrido uma aproximaçãoentre os dois, cujas relações diplomáticas encontram-seformalmente rompidas há três décadas. "Há outras medidas para melhorar o acesso ao mar por parteda Bolívia, medidas essas que estão sendo negociadas em termosmuito genéricos e sobre as quais, em algum momento, precisarãoser realizados estudos técnicos", afirmou a jornalistas oministro chileno das Relações Exteriores, Alejandro Foxley. "Mas esses temas, por motivos óbvios, não serão discutidosem público. Neste momento, é preciso darmos tempo para que osórgãos técnicos trabalhem", acrescentou. Foxley citou como exemplo o fato de que, a fim de permitiro livre trânsito de mercadorias bolivianas até o porto deIquique, foram necessários dois anos de estudos técnicos. A Bolívia aceitou formalmente a perda de sua saída para omar em um tratado de 1904 que deixou sob controle chilenoterritórios antes pertencentes aos bolivianos e aos peruanos,entre os quais o porto de Iquique. Esse porto transformou-se, nas duas últimas décadas, em umdos principais acessos da Bolívia ao oceano Pacífico. Nas cercanias de Iquique, os dois países trabalham em ritmoacelerado para a finalização do complexo fronteiriço binacionalde Colchane, que pode ser inaugurado nos próximos meses pelapresidente do Chile, Michelle Bachelet, e pelo presidente daBolívia, Evo Morales. Além disso, foram iniciados estudos técnicos e deengenharia que permitiriam colocar em funcionamento a hojedeteriorada ferrovia que une a cidade chilena de Arica a LaPaz, no território boliviano. Foxley reafirmou que o Chile está aberto à possibilidade deretomar formalmente as relações diplomáticas com a Bolívia,interrompidas desde 1978. Segundo o chanceler, a decisão a esserespeito depende do governo boliviano. À espera de uma eventual normalização das relaçõesdiplomáticas, Bachelet e Morales deram início a um processo de"reconstrução da confiança." "Ela (a Bolívia) é um país com oqual temos relações muito boas", disse Foxley. (Reportagem de Antonio de la Jara)

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