Chile diz que respeitará tratados após crítica da Bolívia sobre mar

O Chile é um país que respeita e faz respeitar os tratados internacionais, garantiu nesta terça-feira seu presidente Sebastián Piñera em resposta a comentários de seu homólogo boliviano de que Santiago é um perigo para a região porque nega a La Paz a possibilidade de um acesso soberano ao mar.

Reuters

02 de outubro de 2012 | 20h53

Durante uma cúpula de líderes sul-americanos e países árabes ocorrida em Lima, no Peru, o boliviano Evo Morales colocou na segunda-feira mais lenha na disputa histórica que tem com seu vizinho depois que perdeu o acesso ao oceano Pacífico em uma guerra em 1879.

"O Chile respeita seus tratados e naturalmente faz respeitar os tratados que o Chile assinou. Essa é a maneira e melhor forma que os países da América Latina e do Sul podemos avançar para o futuro, com harmonia, paz e colaboração", disse Piñera.

Em entrevista coletiva, na qual foi consultado sobre os últimos comentários de Morales, Piñera afirmou que o Chile é um país amante da paz e que respeita o direito internacional.

Piñera reagiu aos comentários de Morales, na segunda-feira, de que o "Chile não é apenas uma ameaça para a Bolívia, mas também para o Peru. O Chile é um perigo para a região porque estamos em época de integração."

O mandatário boliviano disse ainda que esgotará o diálogo com o Chile antes de apresentar uma queixa internacional contra o país vizinho, anunciada no ano passado, para conseguir acesso soberano ao mar.

A intenção da Bolívia de apelar ao tribunal da Corte Internacional de Haia provocou reações no governo chileno, que advertiu que isso seria um obstáculo à continuidade de um diálogo direto entre ambos os países.

O Chile já enfrenta uma queixa em Haia apresentada em 2008 pelo Peru, que considera que a fronteira marítima entre ambos os países ainda não está definida.

Santiago garante que o tema foi resolvido com a assinatura, em 1952 e 1954, de tratados que, para Lima, são apenas convênios para estabelecer a atividade pesqueira na região rica em recursos. Uma decisão em Haia para o caso pode acontecer em 2013.

(Reportagem de Omar Mariluz)

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