Chile e Peru reforçam integração apesar de disputa marítima

O Chile e o Peru disseram na quinta-feira que buscarão uma integração energética para permitir um forte desenvolvimento das suas economias, e deixarão de lado os temas que os separam no terreno diplomático, como o litígio envolvendo seus limites marítimos.

PATRICIA VÉLEZ E TERESA CÉS, REUTERS

25 de novembro de 2010 | 20h39

Em sua primeira visita oficial ao Peru, o presidente chileno, Sebastián Piñera, disse que os países precisam esquecer seus "mal entendidos" e aproveitar as sinergias entre ambos, grandes produtores de minérios.

"O que nos une é muito mais forte do que o que nos separa", disse Piñera a jornalistas em Lima, após assinar acordos de cooperação com seu colega Alan García.

As relações entre as duas nações sofrem altos e baixos desde uma guerra no século 19, em que o Chile conquistou parte do que era até então o sul do Peru. A atual disputa pelos limites marítimos tramita na Corte Internacional de Justiça, em Haia.

Lima considera que o limite marítimo deveria considerar uma linha equidistante de ambos os países. Santiago afirma que a demarcação é um caso encerrado por um acordo pesqueiro há mais de meio século.

Apesar desse atrito, o intercâmbio comercial e de investimentos cresce fortemente nos últimos anos. Piñera disse que a integração energética envolverá também outros países andinos.

"Conversamos com o presidente (da Colômbia, Juan Manuel Santos) ontem sobre um projeto de integração energética entre Colômbia, Equador, Peru, Chile e Bolívia, que já está estudado, sabemos quanto custa, onde é preciso construir as linhas."

"Quero esclarecer que nessa matéria não se trata de que um país faça um favor a outro país ou lhe faça uma concessão, isso ocorrerá se for de benefício mútuo, e portanto teremos intercâmbio de gás e intercâmbio de energia se for conveniente para ambos os países."

García, por sua vez, afirmou que foi discutido um conceito de "integração profunda", que vincule vários países na complementação de seus recursos energéticos. Ele deixou em aberto a possibilidade de que o Peru venha a vender gás natural para o Chile.

"Temos evidentemente uma prioridade para o mercado nacional, e à medida que o Peru desenvolva seus campos e consiga obter gás, caberá aos responsáveis de então tomar a decisão de vender aos melhores preços," disse o presidente peruano.

Tudo o que sabemos sobre:
CHILEPERUINTEGRACAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.