Chile estabelece 'cordão' e entrega comida a mineiros retidos

Equipes de resgate começaram na segunda-feira a entregar comida a 33 operários presos há 18 dias numa mina subterrânea no norte do Chile, um dia depois de ficar constatado que eles estão milagrosamente vivos. O resgate deles, no entanto, vai demorar meses.

ALONSO SOTO, REUTERS

23 de agosto de 2010 | 17h26

No domingo os mineiros surpreenderam os chilenos ao enviar provas de vida, aproveitando uma sonda que havia chegado ao fundo da galeria. As autoridades reforçaram o poço que está servindo como "cordão umbilical", e agora preparam um plano para tirá-los de lá.

"O trabalho foi lento, mas foi detalhadamente assegurado, evitando cada um dos fatos que pudessem ocorrer para não perder essa conexão", disse o ministro de Minas, Laurence Golborne, que anunciou também a entrega de alimentos ao grupo.

"Agora vamos proceder nos temas de nutrição, estabelecimento de contato etc, e para isso estão trabalhando conosco médicos especialistas", disse.

A ideia é que tubos de plástico mecanizados, chamados "pombas", desçam glicose e água mineral pelo duto, até 700 metros de profundidade, o que os especialistas calculam que leve uma hora.

Nos arredores da pequena mina de ouro e cobre de San José, num acampamento que foi batizado de "Esperança", o clima pela primeira vez era de alegria entre parentes dos mineiros, embora já comece a surgir a ansiedade pelo resgate.

"Quero que eles saiam logo para podermos comemorar muito. Aqui as esperanças nunca morreram, e agora só nos resta esperar um pouco mais", disse Arnoldo Plaza, que tem um primo preso na mina.

Uma perfuração feita por três outras sondas foi interrompida na manhã de segunda-feira, a poucos metros do refúgio onde estão os mineiros. Mas em breve as máquinas devem voltar a trabalhar para estabelecer três canais - um de telecomunicação (telefone), um de ventilação, e outro para alimentos.

Uma câmera de vídeo que chegou domingo ao refúgio mostrou os trabalhadores sem camisa, de capacetes, muito alegres e em boas condições de saúde, apesar dos 17 dias de isolamento após um desabamento numa galeria.

Segundo especialistas, cada mineiro perdeu de 5 a 7 quilos, mas não estão desidratados, graças à água proveniente da própria perfuração feita pelas sondas.

O encarregado do trabalho de resgate disse que ainda não é possível prever quando os mineiros serão retirados, e que só a partir de outubro ou novembro pode ser feita qualquer estimativa.

Isso já faz dessa a maior operação de resgate em minas na história, superando o incidente de julho de 2009 na China, quando 13 mineiros passaram 25 dias presos.

"Temos de fazer já o desenho de engenharia propriamente dita. A primeira estimativa que temos é de três a quatro meses", afirmou André Sougarret, gerente da mina El Teniente, da empresa Codelco, e chefe das sondagens de resgate.

"O que temos de definir é o ponto. Primeiro fazer uma boa topografia. Decidir o ponto de ataque. Faz-se uma perfuração que é o dobro da perfuração que fazemos atualmente."

(Com reportagem adicional de Antonio de la Jara e Juana Casas em Santiago)

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