Chile quer nova reunião da Unasul para a Bolívia em Nova York

Jornal diz que Bachelet convocou novo encontro durante assembléia da ONU sem a participação de Chávez

Efe e Reuters,

22 de setembro de 2008 | 09h30

A presidente chilena, Michelle Bachelet, decidiu convocar uma nova reunião dos presidentes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) na quarta-feira em Nova York, para monitorar o desenrolar do diálogo político na Bolívia, segundo afirmou nesta segunda-feira, 22, a imprensa local. As negociações entre o presidente Evo Morales e os governadores da oposição chegaram a um impasse no domingo, e uma nova reunião foi marcada para a quinta-feira, segundo afirmou o prefeito do Departamento de Tarija, Mario Cossío.   Veja também: Bolívia pode rachar, mas ninguém se beneficiaria, diz analista Bolívia tem histórico de golpes e crises  Entenda os protestos da oposição na Bolívia    A mandatária, que ocupa a Presidência rotativa da Unasul teria programado um segundo encontro aproveitando a Assembléia Geral das Nações Unidas, que acontece nessa semana nos EUA, segundo afirmou o jornal El Mercurio, citando fontes do governo chileno. Diplomatas chilenos em Nova York confirmaram a reunião. Há uma semana, nove presidentes sul-americanos participaram da cúpula de emergência em Santiago, onde respaldaram o governo de Evo e criaram uma comissão para mediar o conflito. A nova reunião serviria para acompanhar o diálogo entre governo e oposição e não contaria com a presença do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que não participará do evento em Nova York.   Diante da recusa da oposição em aceitar uma proposta do governo boliviano para submeter ao Congresso até o dia 1º a convocação do referendo constitucional, partidários do presidente Evo Morales denunciaram no domingo a "falta de interesse e de disposição dos governadores regionais" em fechar um acordo para pôr fim à crise no país. "Meu grande desejo é terminar hoje (domingo) esse diálogo, sobretudo com o acordo que garanta a autonomia e a convocação do referendo", disse Evo, à noite, numa entrevista coletiva. Um pouco antes, membros do governo criticaram o clima de "vaivém" das negociações.   Pela proposta de Evo, seriam incluídas no projeto constitucional "as modificações necessárias para viabilizar o regime autônomo defendido por Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca", explicou o porta-voz da presidência, Ivan Canelas. No entanto, os governadores que participam há cinco dias das negociações em Cochabamba argumentam que precisam de mais tempo para debaterem o tema e alegam que o pré-acordo que abriu o caminho para o diálogo, no começo da semana passada, estabelece que há um mês de prazo para encaminhar a convocação do referendo sobre o texto da futura Carta para o Congresso.   Segundo o governador do Departamento (Estado) de Tarija, Marío Cossío, que representa outros políticos opositores, a proposta de Evo para aprovar em poucos dias a convocação supõe "aceitar às cegas" o texto constitucional promovido pelo Executivo. A inclusão das autonomias no projeto constitucional é um dos temas centrais da mesa de diálogo de Cochabamba. Outro ponto vital é a dotação das receitas petrolíferas, das quais os departamentos exigem uma parcela.   Os confrontos entre o governo e a oposição da Bolívia estendem-se por mais de três semanas e já deixou o saldo de pelo menos 18 mortes. Embora os manifestantes da oposição tenham levantado a maior parte dos bloqueios de estrada e ações de ocupação de edifícios públicos nos departamentos que exigem autonomia, grupos de partidários de Evo, alguns armados, dirigiam-se ontem a Santa Cruz - principal reduto da oposição.

Tudo o que sabemos sobre:
Bolíviacrise na BolíviaChile

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.