Chile rejeita crítica de Chávez por cúpula progressista

O Chile qualificou na terça-feira de inadequadas as críticas do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que acusou sua homóloga Michelle Bachelet de pôr em risco a união da América Latina ao convidar os Estados Unidos e a Grã-Bretanha para uma cúpula na semana passada.

REUTERS

31 de março de 2009 | 20h24

Chávez, um dos maiores críticos das políticas de Washington, exigiu que seus colegas da região expliquem por que a chamada Cúpula de Líderes Progressistas, ocorrida no Chile, teve a presença do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e do vice-presidente norte-americano, Joe Biden, além de governantes latino-americanos e da Espanha.

"Ao governo parece que as palavras do presidente Chávez são completamente inadequadas, a presidente Bachelet é um símbolo de unidade e de diálogo em todo o mundo", disse a jornalistas a porta-voz governamental Carolina Tohá.

"Nosso governo participa da cúpula progressista e participa de todas as instâncias onde houver atores relevantes, onde houver temas importantes nos quais possamos construir o diálogo", acrescentou.

Ela afirmou, porém, que Santiago não enviará uma queixa formal à Venezuela. Os dois governos já tiveram atritos anteriores, sempre resolvidos por via diplomática, sem maiores consequências.

Bachelet foi a anfitriã do encontro, do qual participaram também o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a argentina Cristina Kirchner para discutir a crise global.

"Quando a presidente do Chile convoca uma reunião em Santiago com o vice-presidente dos Estados Unidos e o primeiro-ministro britânico, dois representantes dos impérios, não entendo nada", disse Chávez na segunda-feira no Catar, onde participou de uma cúpula árabe-sul-americana.

"Talvez eu tope com eles por aí e lhes pergunte: que é isso? Expliquem-me. Acho que isso põe em perigo a união sul-americana."

Chávez disse que perguntará a Lula pelos "que se declaram progressistas".

Chávez tem participação ativa em vários projetos de integração sul-americana, como a Unasul e o Banco do Sul, além de manter acordos energéticos em condições preferenciais com países aliados. Críticos dizem que ele usa o petróleo para "comprar" apoios e aglutinar uma frente comum antiamericana.

(Reportagem de Enrique Andrés Pretel em Caracas e Mónica Vargas em Santiago)

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