Felipe Trueba/Efe
Felipe Trueba/Efe

Chilenos entram em greve contra Piñera

Steor de mineiração não foi afetado; manifestantes pedem nova Constituição e sistema tributário

FABIAN CAMBERO E ALEXANDRA ULMER, REUTERS

24 de agosto de 2011 | 12h19

SANTIAGO - Manifestantes ergueram barricadas em estradas e queimaram pneus em partes da capital do Chile nesta quarta-feira, 24, no início de uma greve nacional de dois dias contra o impopular presidente Sebastian Piñera.

O setor de mineração não foi afetado no maior país produtor de cobre do mundo.

A greve instigada pela CUT, o principal sindicato trabalhista chileno, começou de maneira lenta. O transporte público continuava funcionando e os bancos abriram. Apesar de alguns mineiros terem dito que apoiariam a paralisação, as operações em algumas das maiores minas de cobre do mundo não foram afetadas.

As exigências dos manifestantes foram além da mudança educacional e incluem uma nova Constituição e um novo sistema tributário.

Embora governos anteriores tenham enfrentado greves nacionais de um dia, essa é a primeira greve nacional de 48 horas desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

O porta-voz do governo Andres Chadwick disse que a polícia acalmou alguns protestos na quarta-feira, e que afora interrupções no trânsito a situação estava "normal".

"Estamos todos preocupados com o clima social", disse o ministro das Finanças, Felipe Larrain, descrevendo a greve como ilegal e uma ameaça à economia. Ele disse que o governo não iria tolerar bloqueios de estradas.

"Queremos ser capazes de levar adiante nossos programas... os programas do governo não são criados na rua, mas nas urnas". Larrain estimou que a greve irá custar ao Chile cerca de 200 milhões de dólares por dia.

Os manifestantes entraram em confronto com a polícia nas últimas semanas enquanto centenas de milhares de pessoas foram às ruas para criticar o conservador Piñera, que, segundo uma pesquisa recente, é o líder menos popular em duas décadas desde o fim do governo de Pinochet.

Trabalhadores em algumas das maiores minas de cobre do mundo fizeram greve por conta própria. Trabalhadores da mina da BHP Billiton's Escondida, a maior mina de cobre do mundo, suspenderam uma greve de duas semanas no início deste mês que provocou temores no fornecimento global.

Embora a economia modelo da América Latina esteja vendo uma expansão de 6,6 por cento ao ano e seja um ímã de investimento graças a políticas fiscais e monetárias prudentes, muitos chilenos acham que não estão aproveitando o milagre econômico incentivado pela alta no preço do cobre.

Piñera, que assumiu o poder há um ano e meio e nomeou um gabinete cheio de tecnocratas, decepcionou muitos chilenos com suas políticas. Ele está a menos da metade de seu mandato.

Uma grande reforma ministerial no mês passado, a segunda desde que Piñera assumiu o poder, não conseguiu impedir a inquietação.

A queda no apoio a Piñera o está prejudicando no Congresso, e adiando a aprovação de reformas de mercado importantes que visam a transformar o Chile em um centro financeiro rival ao Brasil.

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