Choque com a Polícia fere dezenas em protesto na Bolívia

Estudantes tentam tomar Assembléia Constituinte durante manifestação em Sucre, capital oficial do país

Efe,

06 de setembro de 2007 | 09h48

Violentos choques entre policiais e manifestantes durante toda a noite de quarta-feira e as primeiras horas desta quinta-feira, 6, deixaram dezenas de feridos em Sucre, capital oficial da Bolívia. A cidade luta para voltar a sediar o governo e do Parlamento do país, atualmente localizados em La Paz.   Segundo fontes oficiais, os choques começaram quando estudantes universitários tentaram tomar a sede da Assembléia Constituinte. A presidente do órgão, a governista Silvia Lazarte, anunciou que retomaria nesta quinta as sessões após duas semanas de suspensão por causa dos distúrbios.   No entanto, um comunicado do Comitê Interinstitucional pela "Capitalidade Plena" de Sucre afirma que "tudo começou" no anoitecer da quarta-feira "com uma passeata pacífica de estudantes universitários e da população, que saíram pelas ruas de Sucre, gritando palavras de ordem". O Comitê afirma que, até o amanhecer, os hospitais tinham atendido a 83 pessoas intoxicadas por gás lacrimogêneo, 24 feridos com balas de borracha (incluído um com oito impactos) e 8 sofreram impactos das cápsulas de gás lacrimogêneo. Os canais de televisão locais mostraram imagens dos enfrentamentos, com centenas de jovens lançando pedras, bombas incendiárias e foguetes contra os policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. "Os estudantes pediam o retorno dos poderes Executivo e Legislativo à sua sede original e a suspensão das plenárias da Assembléia Constituinte, enquanto continuarem as negociações entre o governo e a região de Chuquisaca", diz o comunicado. Segundo o comitê, a Polícia lançou bombas de gás contra os manifestantes para dispersá-los e depois os atacou, quando tentavam cercar a sede da Assembléia em "uma vigília durante toda a noite com o objetivo de impedir a instalação da Constituinte". Os canais de televisão mostraram jovens que tentavam forçar portas do Teatro Grão-Marechal Sucre, sede da Assembléia, e colocavam chapas incendiárias na entrada principal. Entre os afetados pelos gás lacrimogêneo estão a própria prefeita de Sucre, Aydeé Nava, e donas de casa que participavam dos protestos com ela, afirma o comunicado. Às 4h locais (5h em Brasília) o Seguro Social Universitário já tinha atendido 57 feridos. Os incidentes, que continuam esta manhã, ocorrem depois que o presidente Evo Morales, que inicialmente se negara a enviar uma missão oficial para negociar em Sucre, mandou na terça-feira vários ministros para abrir o diálogo. As lideranças de Sucre aceitaram o diálogo, mas sob várias condições, entre elas que a Constituinte não retome as sessões. Mas Lazarte, do partido de Morales - o Movimento ao Socialismo (MAS) -, reiterou a convocação para esta quinta.

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