Choque entre polícia e mineiros deixa dois mortos na Bolívia

Homens são mortos a tiros durante protesto contra o governo a 5 dias do referendo revogatório de mandatos

Agências internacionais,

05 de agosto de 2008 | 10h52

Duas pessoas morreram e pelo menos 30 foram feridas nesta terça-feira, 5, durante confronto entre policiais e mineiros que protestavam contra o governo. O líder dos trabalhadores, Moisés Rivera, afirmou para a rádio Erbol que Hernán Montero, de 22 anos, foi morto a tiros na manifestação, realizada a cinco dias do referendo revogatório de mandatos governamentais na Bolívia. Mais tarde, uma rádio local confirmou que Miguel Alegre Antonio, um dos trabalhadores feridos a bala no incidente, morreu no hospital.   Veja também: Oposição faz greve de fome a 5 dias de plebiscito   Fontes médicas confirmaram a morte do trabalhador e afirmaram que pelo menos 12 pessoas ficaram feridas nos choques com a polícia e foram hospitalizadas no Hospital da cidade de Oruro, a 190 quilômetros ao sul da La Paz. Os mineiros que participavam do ato trabalham para uma estatal e desde a semana passada realizam protestos pela aprovação de uma reforma na lei de pensões e aposentadorias.   A menos de uma semana de um referendo revogatório no qual o presidente Evo Morales e governadores de oito dos nove departamentos (Estados) bolivianos devem colocar seu mandato à prova, a oposição começou a intensificar a pressão sobre La Paz. Líderes dos departamentos opositores anunciaram uma grave de fome e a organização de uma onda de protestos contra o governo enquanto mineiros bloquearam estradas em alguns pontos do país.   Os governadores e líderes cívicos dos departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca, que apóiam ou participam da greve de fome, pedem que La Paz desista do corte dos repasses para os governos locais. Desde novembro, 30% dos impostos sobre os hidrocarbonetos que eram enviados aos departamentos estão sendo usados por Evo para financiar uma pensão para idosos. Outra demanda é que o presidente reconheça a autonomia de quatro regiões, aprovada pela população local em referendos que La Paz considera ilegais.   Já os mineiros exigem que o Congresso aprove uma nova lei de pensões e aposentadorias. São apoiados por professores e pela Central Operária Boliviana (COB), a maior central sindical do país, que se disse disposta a aumentar as "medidas de pressão" contra o governo.   O referendo revogatório será realizado no domingo. Para se manter no poder, Evo precisa obter mais de 53,7% dos votos - porcentagem com a qual foi eleito em 2005. Já os oito governadores precisam obter 50% mais um voto (Chuquisaca não participará do referendo porque sua governadora acabou de ser eleita, após a renúncia de um aliado de Evo, em novembro).   Na prática, a consulta é um instrumento com o qual governo e oposição tentam mostrar sua força num momento de crescente polarização política da Bolívia. O governo, apoiado em departamentos do Altiplano, e a oposição, com grande força nas terras baixas da Bolívia, disputam recursos e poder de decisão.   Matéria atualizada às 14h55

Tudo o que sabemos sobre:
Bolíviareferendo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.