Cidades argentinas cobertas de cinzas estão sem luz e água

Cidades argentinas cobertas pelas cinzas de um vulcão chileno estão sem eletricidade e água e devem ser declaradas como zona de desastre pelas autoridades, enquanto a economia já sofre com a ausência de turistas.

REUTERS

15 de junho de 2011 | 20h01

Villa La Angostura e Villa Traful, próximas da fronteira com o Chile e a cadeia de vulcões Puyehue-Cordón Caulle, sofreram nesta madrugada uma chuva de cinzas que tornaram cinzentas e espessas as águas dos lagos que as circundam. As autoridades pediram aos moradores que permaneçam em suas casas.

O complexo vulcânico que entrou em erupção no dia 4 de junho depois de décadas continua afetando alguns aeroportos argentinos, além de terminais do sul do Brasil e até a Oceania.

A combinação de fortes ventos e chuva afetou o sistema elétrico das duas cidades, onde as aulas permanecem suspensas e caminhões de bombeiros seguem trabalhando para limpar a grossa camada de cinzas espalhadas pelas ruas e tetos das casas.

"Estamos nas mãos do vulcão e ninguém controla um vulcão", disse a repórteres o prefeito de Villa La Angostura, Ricardo Alonso.

"Não há luz, as ruas estão desertas", contou por telefone Alberto Cervantes, dono de una farmácia em Villa La Angostura, parte da província de Neuquén na Patagônia, 1.600 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires.

O comerciante acrescentou que a cidade está bem provida de alimentos, água mineral, combustíveis e medicamentos, que chegam por terra, ainda que as rotas só estejam abertas durante o dia, já que as cinzas cobrem a sinalização de trânsito, o que torna perigosa a circulação à noite.

Gustavo Suam, voluntário de Defesa Civil na região, disse a uma rádio que "80 por cento do povoado está praticamente sem luz. E não temos água potável, por que ela depende de bombas e não temos energia."

TEMOR PELO TURISMO

A principal fonte de receita de La Angostura e Villa Traful é o turismo, que está completamente afetado com o fechamento do aeroporto da vizinha San Carlos de Bariloche, um dos principais destinos turísticos da Argentina, onde a preocupação sobre um possível fracasso da próxima temporada de inverno cresce entre comerciantes e empresários.

A declaração de desastre na região vai acelerar a entrega de ajuda econômica.

"O fluxo de turistas está muito afetado, de brasileiros e outros latino-americanos e norte-americanos. O turismo está afetado em 80 por cento", disse por telefone Viviana Risso, gerente do hotel El Casco, instalado em Bariloche às margens do lago Nahuel Huapi, cujas águas estão cobertas de cinzas.

"Tudo está cinzento. Dizem que vai durar por alguns anos", acrescentou, ressaltando que a cidade teve cortes de luz na terça-feira.

Na quarta-feira, os dois aeroportos que atendem a capital argentina, os maiores do país, permaneceram abertos e as principais companhias aéreas que operam nos terminais reagendaram os seus serviços, paralisados intermitentemente desde a erupção.

Especialistas disseram que a nuvem de cinzas pode seguir afetando o tráfego aéreo por um tempo e que a atividade vulcânica não dá sinais de estabilização em curto prazo.

(Reportagem de Guido Nejamkis)

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