Cinzas vulcânicas podem prejudicar voos por mais algum tempo

A nuvem de cinzas expelidas por um vulcão no centro-sul do Chile pode prejudicar o tráfego aéreo por mais algum tempo, uma vez que a erupção não mostra sinais de acabar no curto prazo, disseram especialistas na terça-feira.

JUANA CASAS, REUTERS

14 de junho de 2011 | 20h51

As cinzas do vulcão chileno Puyehue-Cordón, que entrou em erupção no dia 4 de junho depois de décadas inativo, têm prejudicado as operações em alguns aeroportos argentinos, além de afetar terminais no sul do Brasil e até na Oceania.

Dezenas de voos foram cancelados e o caos atrapalhou companhias aéreas como a chilena LAN, as brasileiras TAM e Gol e as australianas Qantas e Virgin Australia.

"Não há indícios de que a situação (do vulcão) mude ou se estabilize no curto prazo", disse à Reuters o diretor do Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin), Enrique Valdivieso.

"Cinzas finas, como foram vistas na última erupção, podem ficar (no ar) por meses. Se a coluna de cinzas continuar a medir 9 quilômetros, pode se espalhar facilmente. Quanto mais alta for, mais se espalha", disse.

Ele afirmou ainda que é difícil prever quanto tempo as cinzas vão afetar os voos ou se a erupção vulcânica poderia aumentar nas próximas semanas.

No mês passado, viagens aéreas entre o norte da Europa e a Grã-Bretanha foram prejudicadas depois que o vulcão mais ativo da Islândia, o Grimsvotn, lançou ao céu uma coluna de cinzas e fumaça de 25 quilômetros de extensão.

Em abril do ano passado, a erupção de outro vulcão islandês, o Eyjafjallajokull, provocou o cancelamento de 100 mil voos, afetando 10 milhões de pessoas e gerando prejuízos de 1,7 bilhão de dólares.

"Se levarmos em conta exemplos anteriores, como o caso do Lonquimay, no Chile, em 1989, a nuvem (de cinzas) se manteve mais ou menos uns dois meses e logo (o vulcão) começou a expelir lava. E quando começa a sair lava, a atividade das cinzas começa a diminuir", explicou o vulcanólogo da Universidade de Atacama, do Chile, Felipe Aguilera.

"Os vulcões da América do Sul têm a capacidade de emitir cinzas por muito mais tempo (que os da Islândia) porque o magma é mais grosso e sobe mais lentamente", acrescentou.

O Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), da Força Aérea Brasileira, informou que a nuvem está restrita a uma estreita faixa que se estende desde Buenos Aires, na Argentina, até Florianópolis, em Santa Catarina, passando pelas cidades gaúchas de Santa Maria, Bagé e Porto Alegre.

Inclusive Nova Zelândia e Austrália foram atingidas pelo fenômeno iniciado no Chile, forçando o cancelamento ou atraso de voos programados.

Esta é a mais recente em uma série de erupções vulcânicas no Chile nos últimos anos. O Chaitén entrou em erupção de maneira espetacular em 2008 pela primeira vez em milhares de anos, arremessando rochas derretidas e uma vasta nuvem de cinzas que chegou à estratosfera.

A nuvem de cinzas do Chaitén cobriu cidades na Argentina e era visível do espaço. O vulcão chileno Llaima, um dos mais ativos na América do Sul, entrou em erupção em 2008 e 2009.

A cadeia de vulcões do Chile, a segunda maior do mundo depois da Indonésia, tem cerca de 2 mil vulcões, dois quais 500 têm potencial para entrar em atividade. Cerca de 50 já entraram em erupção.

(Reportagem adicional de Maximiliano Rizzi, Luis Andrés Henao e Simon Gardner, em Santiago; de Guido Nejamkis, em Buenos Aires; e de Bruno Marfinati e Eduardo Simões, em São Paulo)

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