Clara e Consuelo festejam liberdade, mas lembram outros reféns

Rojas contou como foi o difícil parto na floresta, a grande alegria ao ver pela primeira vez o seu filho

EFE,

12 de janeiro de 2008 | 04h56

Clara Rojas e Consuelo González mostraram nesta sexta-feira, 11, na sua primeira entrevista coletiva desde que foram libertadas, em Caracas, a sua alegria por estarem vivas, e enviaram uma mensagem de ânimo aos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que continuam em cativeiro na floresta colombiana. Após quase seis anos nas mãos das Farc, a ex-candidata à Vice-Presidência colombiana Clara Rojas dedicou uma mensagem de encorajamento aos reféns. Ela afirmou também que o seqüestro é um crime contra a humanidade. Num salão do hotel onde está hospedada com parentes, Rojas, de mãos dadas com a sua mãe, respondeu às perguntas dos vários jornalistas que durante o dia todo esperaram para falar com as duas mulheres entregues na quinta-feira a uma comissão enviada pela Venezuela. "Coragem. Vocês estão nas nossas almas. Deus queira que recuperem a liberdade no menor tempo possível. Estaremos aqui para recebê-los", disse. Com seu irmão Ivan também a seu lado, ela relatou momentos de seu cativeiro, como sua gravidez e o nascimento de seu filho, Emmanuel. Falou também de Ingrid Betancourt, sua companheira de chapa nas eleições presidenciais de 2002, e disse estar preocupada com a amiga, ao saber de um vídeo apresentado como prova de vida, no qual ela aparece acorrentada. "Isso me dói profundamente. Eu me preocupo com a sua saúde e seu desânimo crônico", disse. Sobre a proposta do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de se retirar as Farc das listas de grupos terroristas, Rojas respondeu que a organização "em princípio parece criminosa". Além disso, "mantém pessoas seqüestradas", o que constitui "um crime contra humanidade", acusou. "Eles se dizem parte de um Exército do povo, mas mantêm pessoas seqüestradas. O seqüestro é uma violação total da dignidade humana", criticou. Rojas contou como foi o difícil parto na floresta, a grande alegria ao ver pela primeira vez o seu filho e também como foi separada dele em janeiro de 2005, quando foi diagnosticado com leishmaniose. Do pai, um guerrilheiro, disse não saber nada, nem se está vivo, nem se ele sabe que Emmanuel é seu filho. Ela explicou que pediu aos chefes guerrilheiros que entregassem o menino à avó, em Bogotá. Mas "nunca mais" teve notícias dele. Depois, dia 31 de dezembro, soube das declarações do presidente colombiano, Álvaro Uribe, revelando que Emmanuel provavelmente estava sob os cuidados de um órgão assistencial. Clara Rojas disse que ainda não decidiu com seus parentes quando voltará para Bogotá. As duas ex-reféns relataram que foram tiradas do lugar onde estavam presas com outros reféns no dia 20 de dezembro. Começou então uma longa marcha pela floresta, que só terminou na sexta, 11, dia de sua libertação. González de Perdomo, ex-congressista colombiana, seqüestrada também há mais de seis anos, defendeu uma troca humanitária e uma solução negociada para o conflito. "Continuo achando que a solução deve ser política, pela negociação", disse a ex-refém, acompanhada pelas duas filhas na entrevista. Consuelo González disse que voltará à Colômbia no próximo domingo. Ela se declarou determinada a promover ações a favor da troca humanitária para obter a libertação de todos os seqüestrados. A ex-congressista disse que a ação do presidente venezuelano, Hugo Chávez, "foi decisiva" para permitir que as duas recuperassem a liberdade. E falou sobre a primeira tentativa de resgate, no fim de 2007. "No dia 30 de dezembro tínhamos certeza de que nos libertariam no dia seguinte. Indiscutivelmente houve operações militares na região onde seríamos soltas, o que permitiu a nossa chegada ao local", afirmou. González observou que não ouviu diretamente o discurso do presidente venezuelano e por isso não tinha critérios para comentar a proposta. "Mas se com isso pudermos atingir a paz, seria preciso analisar a idéia muito profundamente", ressaltou. Depois de afirmar que teve "seis anos de vida suspensa", a ex-congressista disse que "não há como medir a felicidade" do momento que vive. Ela agora quer "começar a aproveitar o tempo" ao lado de sua família, e reafirmou seu "compromisso" com a troca humanitária. "O simples fato de privar de liberdade uma pessoa é censurável", ressaltou, antes de acrescentar que não sofreu tortura física, mas viu seus companheiros de cativeiro acorrentados.

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