Clara Rojas pode recuperar Emmanuel em até duas semanas

Ministro colombiano garante entrega do filho da ex-refém nascido no cativeiro após trâmites legais

Agências internacionais,

11 de janeiro de 2008 | 17h01

Emmanuel, filho da ex-refém Clara Rojas que nascido no cativeiro nas selvas colombianas e está em um orfanato em Bogotá, pode ser devolvido para a mãe "no máximo em duas semanas", segundo afirmou o ministro de Proteção Social Diego Palácio nesta sexta-feira, 11, citado pela agência France Presse. Ele assegurou que Emmanuel poderá voltar para a sua família em dias, respeitando os trâmites legais e garantindo que o menor não sofra nenhum tipo de trauma. Veja também:Libertação inicia 'corrida contra morte' Ex-refém diz que Farc mantêm militares acorrentados Chávez pede a Europa que tire Farc da lista de terroristasBlog do Guterman: Emmanuel e o 'presente' de Chávez  Galeria de fotos do resgate das reféns  Assista às imagens da libertação Saiba quem são as refénsEntenda o que são as FarcCronologia: do seqüestro à libertação A colombiana Clara Rojas, ex-assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, libertada nesta quinta-feira depois de seis anos nas mãos do grupo rebelde, disse que queria recuperar seu filho Emmanuel imediatamente. "Queria trazer o Emmanuel já", disse em entrevista à rádio Caracol. Ainda na quinta-feira, Uribe agradeceu a gestão de Chávez na soltura dos reféns e anunciou que o governo entregará rapidamente o filho de Clara. Segundo a BBC, Clara se disse surpreendida com a notícia de que o menino estava internado em um orfanato na capital colombiana, Bogotá, e não em poder do grupo guerrilheiro. "A primeira surpreendida fui eu. Me disseram que não me preocupasse com o menino. Escrevi ao (chefe máximo das FARC, Manuel) Marulanda (…) e ao Comitê da Cruz Vermelha para que o menino fosse entregue à minha mãe (...) eu estive sempre muito preocupada em saber onde estava o menino", disse Rojas. Ela confirmou que teve um parto difícil e que teve que ser submetida a uma cesariana no meio da selva colombiana. "No momento do parto foi difícil. Não dilatei. Me fizeram a cesariana e estive 40 dias em recuperação, sem me mexer, sem poder levantar da cama", contou Clara Rojas, ao afirmar que o bracinho de Emmanuel foi quebrado no momento do parto.  Elvira Forero, diretora do Instituto de bem-estar da Família, na Colômbia, que está com o menino sob custódia, afirmou que "será muito fácil o processo de adaptação de Emmanuel com a sua mãe, já que ele é uma criança alegre, feliz e amorosa". Elvira afirmou ainda para uma rádio local que o menino tem facilidade de se relacionar com outras pessoas, por isso seu enlace com a mãe será rápido e sem maiores traumas. Ela acrescentou ainda que entrará em contato com Clara para que seja iniciado o protocolo de entrega da criança, com a assistência de uma equipe responsável pela proteção do menor. No comunicado em que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia divulgaram na quinta-feira, 10, sobre a libertação das reféns ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a guerrilha exigiu que o governo colombiano entregue o menino Emmanuel para a mãe. Eles aproveitaram para acusar o presidente Álvaro Uribe de manter seqüestrada a criança . "Se o menino Emmanuel não está nos braços de sua mãe é porque o presidente (Álvaro) Uribe Vélez o mantém seqüestrado em Bogotá", sustentaram as Farc, ao se referir à permanência da criança em um albergue infantil do Estado. Os insurgentes pediram a Uribe que "o liberte para que todos possam comemorar este fato". O menino teria sido levado para um orfanato depois que uma família de camponeses para quem as Farc haviam entregado a criança teve de levá-lo ao hospital. Os médicos disseram que o menino sofria de desnutrição e outras doenças e decidiram chamaram a assistência social do orfanato, que acabou levando Emmanuel. Emmanuel A existência do menino foi descoberta nas páginas do livro do jornalista Jorge Enrique Botero. O policial John Pinchao, que fugiu de um acampamento do grupo depois de nove anos de cativeiro em abril de 2007, confirmou o nascimento do menino, afirmando que o pai e a mãe de Emmanuel teriam sido separados desde a gravidez.  Pinchao contou que após o nascimento, o menino recebeu cuidados como de uma criança indígena, e que os seqüestrados fabricavam suas roupas. O policial relatou ainda com alguns meses de vida, Emmanuel foi separado da mãe, que gritava para que ele fosse devolvido. "Ela gritava pelo nome do menino e perguntava porque não poderia vê-lo. A guerrilha não dava atenção. Durante as caminhadas, voltamos a ver a criança, mas que a levava era uma guerrilheira chamada Rosa.", aponta o jornal colombiano El Tiempo. Na época, contou Pinchao, se comentava que o pai do bebê seria morto. Hoje, se sabe que ele se chama Juan David e atua na frente 54 das Farc. De acordo com a inteligência colombiana, o menino teria sido entregue por Gómez em julho de 2005 a um orfanato em San José de Guaviare, numa região onde as Farc atuam. José Gómez, o homem que estava com o menino, afirmou que o menor foi entregue por guerrilheiros das Farc em 2005, que chegaram em lanchas e pediram para que ele tomasse conta da criançao. Identificado como Juan David Gómez Tapiero, a criança foi levada para um hospital doente e apresentando alto grau de desnutrição, foi levada sob custódia por suspeita de maus tratos. Apesar de pronunciar palavras como 'mamãe' e outras sílabas soltas, ele apresenta um retardo em seu desenvolvimento psicomotor. Atualmente, o governo afirma que ele apresenta "bom estado de saúde, com um desenvolvimento adequado para a sua idade, com situação médica e tradicional adequada para a sua idade".

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