Ulises Rodríguez/Efe
Ulises Rodríguez/Efe

Clinton chega entre protestos a sede do governo haitiano

Ex-presidente trabalhará ao lado de governo haitiano e das agências da ONU para reerguer país

Efe,

05 de fevereiro de 2010 | 17h35

O ex-presidente norte-americano Bill Clinton chegou nesta sexta-feira, 05, a sede temporária do governo haitiano, aonde o esperavam cerca de 200 pessoas para pedir barracas, porque mais de três semanas depois do terremoto de grandes proporções que atingiu o país, ainda dormem ao relento, segundo um jornalista da agência AFP.

 

O enviado especial das Nações Unidas para o Haiti, Bill Clinton, defendeu  todos os esforços encaminhados para uma reconstrução que permita ao Haiti ter sua própria economia.

 

Em sua opinião, é preciso "organizar o trabalho de modo que, independentemente do que aconteça no futuro, o Haiti seja um país com sua própria economia, ao qual eu voltarei como turista", disse Clinton em declarações aos jornalistas depois de se reunir em Porto Príncipe com o presidente haitiano, René Préval, e com o primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive.

 

"O que vou tentar fazer é preencher as lacunas no trabalho da comunidade internacional", explicou o ex-presidente americano, ao defender que as tarefas se desenvolvam com o pensamento no futuro da nação caribenha, a mais pobre da América.

 

Ao falar das ações mais imediatas que empreenderá, Clinton declarou que um dos objetivos é tentar conseguir mais fundos para o programa Comida por Trabalho, da ONU.

 

Este projeto, que deu emprego para mais de 30 mil pessoas, paga um salário diário de US$ 5 aos haitianos que trabalham nas tarefas de remoção de escombros e reparação da infraestrutura pública.

 

Clinton disse esperar que 27 mil tendas de campanha cheguem ao país nos próximos sete dias e anunciou a chegada de 100 caminhonetes que permitirão melhorar a distribuição da ajuda.

 

"Estive em desastres deste tipo em todo o mundo e este é um dos piores que vi", declarou o enviado das Nações Unidas, que visita o Haiti pela segunda vez desde o terremoto, embora esta seja a primeira ocasião em que o faz desde que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o encarregou de coordenar a ajuda.

 

Préval demonstrou satisfação com a visita de Clinton, com quem manteve "uma boa conversa" sobre a situação do país, e acrescentou que ambos são conscientes de que "a reconstrução não vai ser fácil".

 

Clinton viajou ao Haiti duas semanas atrás, poucos

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dias depois do terremoto, para se reunir com autoridades do Haiti e da ONU. O ex-presidente também levou comida, água, suprimentos médicos, lanternas e geradores de energia, de acordo com a fundação chefiada por ele.

 

O presidente Barack Obama pediu a Clinton e ao também ex-presidente Bush que levantassem fundos para enviar ao Haiti. Os ex-chefes de governo criaram então o Fundo Clinton-Bush para o Haiti, cujo objetivo é "identificar e suprir todas as necessidades pendentes na região, melhorar a qualidade de vida e ajudar na reconstrução do país".

 

Rapidez

 

Também nesta sexta, a esposa do ex-presidente e secretária de Estado americana, Hillary Clinton, expressou o desejo de que o caso dos dez americanos detidos no Haiti por tentar sair do país ilegalmente com 33 crianças seja resolvido "com prontidão".

 

Hillary explicou que os Estados Unidos estão fornecendo serviços consulares aos detidos, aos quais eles têm "pleno acesso". Eles foram acusados formalmente na quinta-feira de tráfico de menores e formação de quadrilha.

 

O embaixador dos EUA no Haiti, Kenneth Merten, está em contato com o governo haitiano para tratar do caso, explicou Hillary. No entanto, a secretária quis deixar claro que se trata de um assunto competente ao sistema judiciário do Haiti.

 

Segundo Hillary, este é um caso que está em mãos de "uma nação soberana" e que fez a acusação baseando-se nas provas que apresentou quando anunciou a acusação formal.

 

Apesar disso, Washington continuará apoiando os americanos, como faz em todos os casos nos quais seus cidadãos são detidos no exterior, acrescentou Hillary.

 

Os dez acusados compareceram na quinta-feira a uma audiência perante a Procuradoria haitiana, na qual reiteraram sua inocência e explicaram que sua única intenção era ajudar.

 

Os missionários foram interceptados pelas autoridades haitianas e detidos na semana passada, quando pretendiam passar ao território da República Dominicana em um ônibus com os menores, que tinham entre dois e 12 anos.

 

Por não dispor da documentação necessária para sair do país com as crianças, os americanos, membros da organização batista New Life Children's Refuge foram detidos.

 

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