Sophia Paris/AP
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Clinton promete preencher lacunas da cooperação ao Haiti

Visita de ex-presidente ocorre em momento de frustração de haitianos por falta de coordenação na ajuda

Efe,

05 de fevereiro de 2010 | 20h26

O ex-presidente americano e enviado especial da ONU para o Haiti, Bill Clinton, prometeu nesta sexta-feira, 05, mais esforços e ajuda para tentar dar fim aos problemas de coordenação na distribuição de assistência por parte da comunidade internacional após o terremoto que atingiu o país em 12 de janeiro.

 

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"Sinto que esteja demorando tanto, mas estas pessoas estão trabalhando duro e o que estou tentando fazer agora é identificar as coisas que não foram feitas e que devem ser aceleradas. Estou fazendo tudo o que posso", disse Clinton depois de se reunir com o presidente do Haiti, René Préval. "O que vou tentar fazer é preencher as lacunas no trabalho da comunidade internacional", acrescentou.

 

A visita de Clinton ocorre no momento em que ficam evidentes os problemas de coordenação entre os diferentes atores internacionais presentes no Haiti para ajudar, enquanto cresce a frustração entre a população por causa da falta de resposta a suas necessidades.

 

Em declarações a jornalistas, o ex-presidente americano lembrou que o terremoto do Haiti, que segundo o governo deixou mais de 212 mil mortos, também representou a maior perda de vidas para as próprias Nações Unidas.

 

Clinton afirmou que a articulação da entrega de ajuda humanitária deveria ter sido feita enquanto os resgates eram prioridade, porque "ainda havia gente viva duas semanas depois do desastre". "Estive em desastres deste tipo em todo o mundo e este é um dos piores que vi", disse.

 

Em sua segunda visita ao Haiti após o terremoto do dia 12 de janeiro, Clinton se reuniu nesta quinta com Préval e o chefe da missão da ONU no país (Minustah), Edmond Mulet, assim como com membros do mecanismo de coordenação de ajuda da comunidade internacional.

 

"Foi uma boa reunião, me deram muitas boas ideias e tenho muito trabalho a fazer", disse o ex-presidente americano, ao mencionar sua intenção de se dedicar agora a ações imediatas, como conseguir mais fundos para o programa Comida por Trabalho, da ONU.

 

Este projeto, que deu emprego para mais de 30 mil pessoas, paga um salário diário de US$ 5 aos haitianos que trabalham nas tarefas de remoção de escombros e reparação da infraestrutura pública, dando ajuda humanitária indireta e injetando dinheiro na economia local.

 

Clinton disse esperar que 27 mil tendas de campanha cheguem ao país nos próximos sete dias e anúncio a chegada de 100 caminhonetes que permitirão melhorar a distribuição da ajuda, em número que pode subir para 200 veículos.

 

Além disso, ressaltou a necessidade de que todos os esforços se encaminhem para uma reconstrução pensando no futuro. Em sua opinião, é preciso "organizar o trabalho de modo que, independentemente do que aconteça no futuro, o Haiti seja um país com sua própria economia, ao qual eu voltarei como turista".

 

O ex-presidente dos Estados Unidos evitou falar dos dez americanos que estão sendo processados no Haiti por supostamente tentarem sequestrar crianças ao dizer que esse tema não faz parte de suas funções e que a secretária de Estado americana e o governo haitiano já estão tratando do assunto.

 

A reunião de Clinton com Préval aconteceu enquanto quase 30 funcionários públicos reivindicavam o pagamento de salários atrasados com cartazes de apoio ao ex-presidente Jean Bertrand Aristide no exterior da sede da Polícia Judicial, transformada nos escritórios do governo após o terremoto.

 

 

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