Colom diz que 'só morto' deixa Presidência da Guatemala

Em vídeo, advogado assassinado no domingo acusa Colom e o secretário presidencial de querer matá-lo

Agências internacionais,

14 de maio de 2009 | 08h08

O presidente da Guatemala, Álvaro Colom, assegurou na quarta-feira, 13, em entrevista à agência Efe que "jamais" renunciará, e que "só morto" deixará o Palácio do Governo. "Eu não matei ninguém", disse o governante, acusado pelo advogado Rodrigo Rosenberg de ser o responsável por sua morte em um vídeo que gravou antes de ser assassinado a tiros no último domingo.

 

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video Assista ao vídeo do advogado assassinado no YouTube

 

"Boa tarde. Meu nome é Rodrigo Rosenberg Marzano e, lamentavelmente, se você está ouvindo e vendo este vídeo é porque eu fui assassinado pelo presidente." A mensagem que está escandalizando a Guatemala foi gravada por um advogado guatemalteco morto a tiros quando andava de bicicleta perto de sua casa, no domingo. Ela foi distribuída durante seu funeral, na segunda-feira, e agora ameaça desestabilizar o governo do presidente Álvaro Colom.

 

Segundo Rosenberg, Colom, sua esposa, Sandra, seu secretário particular, Gustavo Alejos, e outros colaboradores participaram de sua morte e da do empresário Khalil Moussa e sua filha, no dia 14 de abril. O motivo seria o fato de ele ser advogado do empresário e sua filha, Marjorie Musa, assassinados em abril num bairro do sul da capital guatemalteca. Segundo Rosenberg, Musa foi morto por supostamente negar-se a participar de negócios sujos, após ser nomeado diretor do Banco de Desenvolvimento Rural, entidade de capital misto da qual o Estado é acionista majoritário.

 

O advogado disse que foi montado no interior dessa instituição financeira um esquema ilícito no qual estariam envolvidos o presidente e a primeira-dama, Sandra Torres de Colom. Nas últimas semanas, ele teria sido pressionado por Alejos para não revelar o problema. "Os negócios ilegais e milionários fechados dia a dia (no Banco de Desenvolvimento Rural) vão desde lavagem de dinheiro até desvio de fundos públicos para programas inexistentes liderados da mulher do presidente, assim como o financiamento de empresas de fachada utilizadas pelo narcotráfico", afirma o advogado na gravação.

 

Segundo Colom, estas acusações "são parte de um plano" que tem como objetivo desestabilizar o governo. "A verdade sobre o assassinato de Rosenberg será descoberta, e a verdade sobre a fabricação do vídeo e o planejamento desta trama também será encontrada", assinalou à Efe o governante.

 

A divulgação criou um clima de incerteza na Guatemala. Políticos de oposição pediram a renúncia do presidente. Guatemaltecos espalharam na internet mensagens indignadas e criaram um site para exigir que Colom deixe o cargo.

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