Colômbia aceitar entrar em Conselho Sul-Americano de Defesa

A Colômbia aceitou no sábado fazer partedo Conselho Sul-Americano de Defesa proposto pelo Brasil paraarticular políticas regionais nesse tema. A Colômbia, noentanto, condicionou sua entrada à rejeição de grupos violentose que se reconheça somente as forças legais dos países. No início do ano o Brasil propôs criar o Conselho de Defesaque servirá para a capacitação de militares, assim como paraabordar temas nessa área e evitar conflitos na região. O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, fez o anúncio aolado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem recebeu emvisita oficial. Os dois presidentes conversaram por telefone com apresidente chilena, Michelle Bachelet, para tratar do tema doconselho. Uribe disse que Lula e Bachelet, que preside a União deNações Sul-Americanas, aceitaram as reivindicações colombianaspara que as decisões do Conselho sejam adotadas por consenso,sejam reconhecidas somente as forças institucionais dos Estadosmembros e se rejeitem os grupos violentos. "Dada esta compreensão que encontramos, então a decisão quea Colômbia comunica é entrar no Conselho de Segurança daAmérica do Sul", disse Uribe em entrevista coletiva ao lado deLula. Uribe conseguiu impedir que, no futuro, as Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de LibertaçãoNacional (ELN) possam ter um espaço de interlocução nesseconselho, razão pela qual o país inicialmente recusou-se afazer parte do grupo. Lula, por sua vez, obteve uma vitória diplomática, já que aposição colombiana era o principal obstáculo para aconcretização do conselho. Durante o encontro entre Lula e Uribe, Brasil e Colômbiaassinaram um acordo de cooperação militar que busca desenvolverprojetos conjuntos entre as indústrias militares dos doispaíses. "O Brasil não deseja ser somente um vendedor de armas dedefesa para a Colômbia, queremos produzir em conjunto. O Brasildeseja construir fábricas para produzir em conjunto com ospaíses da América do Sul, e a Colômbia é um país que tem desejoe potencial", disse Lula. "Queremos ser sócios para produzir e vender juntos",acrescentou. A Colômbia fechou em dezembro de 2005 a negociação paracompra de 25 aviões Super Tucano por 234,5 milhões de dólares,a maior aquisição militar na história recente do país. O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos,revelou que a Colômbia aceitou o convite do Brasil para fazerparte de um projeto de construção de um avião de transportepesado e que manterá a compra de equipamento bélico. "Seguiremos explorando áreas comuns. Parte da nossa entradano Conselho Sul-Americano de Segurança tem a ver também comessa busca de denominadores comuns em matéria de indústriamilitar", disse Santos. O ministro colombiano disse ainda que Colômbia, Brasil ePeru buscarão assinar no domingo, durante encontro entre ospresidentes dos três países, um acordo para exercer um maiorcontrole militar dos rios da selva amazônica, para proteger asfronteiras de ameaças de grupos armados ilegais. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o acordo decooperação assinado com a Colômbia busca também o intercâmbiode experiências e tecnologia militar. Lula também se disse disposto a mediar um acordo de pazentre o governo colombiano e as Farc, e a facilitar aaproximação da Colômbia com o Equador para que os dois paísesrestabeleçam relações diplomáticas. REUTERS ES

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