Colômbia acusa diplomata suíço de levar US$ 500 mil para Farc

Ministro da Defesa diz que Jean Paul Gontard aparece como 'portador' de dinheiro confiscado da guerrilha

Efe,

06 de julho de 2008 | 15h48

O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, declarou que o diplomata suíço Jean Paul Gontard, que participou dos esforços para a libertação dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), aparece como "portador" de US$ 500 mil confiscados da guerrilha na Costa Rica. Veja também:77% dos colombianos apóiam terceiro mandato de Uribe'Operação de resgate foi antecipada', diz ministro colombianoO drama de IngridPor dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região   Cronologia do seqüestro de Ingrid BetancourtLeia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid BetancourtO seqüestro de Ingrid Betancourt  Santos fez a afirmação em entrevista publicada neste domingo, 6, pelo jornal El Tiempo, na qual reiterou que o governo colombiano não pagou pelo resgate dos 15 reféns das Farc. Os seqüestrados foram libertados na quarta-feira pelo Exército da Colômbia, e entre eles estavam a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt; os norte-americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, e 11 militares e policiais colombianos. "A única coisa que eu digo é que esse senhor (Gontard) terá que explicar por que aparece nas mensagens de 'Raúl Reyes' como o portador dos US$ 500 mil apreendidos da guerrilha colombiana na Costa Rica", disse o ministro, se referindo ao computador do porta-voz internacional das Farc. Reyes foi morto em 1º de março, em uma operação do Exército colombiano em território equatoriano, na qual também morreram outras 25 pessoas, e que gerou uma crise diplomática entre Colômbia e Equador. Quando perguntado se Gontard "se aliara à guerrilha" colombiana, Santos respondeu: "Nem uma palavra a mais". Sobre a afirmação do jornalista suíço Frederich Blassel, da Radio Suisse Romande (RSR), de que um rebelde das Farc recebeu US$ 20 milhões em troca da entrega dos seqüestrados, e que a operação foi uma armação, Santos disse: "Desde sexta-feira passada que eu repito que isso é absolutamente falso". O ministro explicou que a chamada Operação Xeque, na qual o Exército colombiano libertou os 15 seqüestrados, foi proposta por membros da "inteligência militar (colombiana), criativos e audazes". O plano consistiu em convencer o guerrilheiro "César" - que estava com os cativos - que o chefe militar das Farc, Jorge Briceño, conhecido como "Mono Jojoy", ordenara a transferência dos seqüestrados para o local onde estava o líder máximo da guerrilha, "Alfonso Cano". "Montaram, então, uma espécie de estúdio de cinema, para pôr o plano em prática. As pessoas que participaram diretamente nos helicópteros tiveram, inclusive, aulas de teatro", explicou o ministro colombiano. Santos acrescentou que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, lhe respondeu assim ao contar sobre o projeto: "Vá em frente, ministro". Ele reiterou que o Exército se infiltrou nas Farc, e destacou que esse processo "não aconteceu de um dia para o outro". "Nós temos infiltrados nas Farc há muito tempo", afirmou. Sobre o futuro das Farc, Santos disse "esperar que Alfonso Cano perceba que se não negociar agora, será muito difícil mais tarde".

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